O que fazer neste mundo BANI em guerra?

Opinião de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

Executive Digest

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

A maior dificuldade que todos estamos a ter como gestores e líderes de organizações é fazer previsões. O que podemos fazer, qual o cenário A e B? Ninguém sabe, pois desde meados do século XX (2ª guerra mundial) que não tínhamos um conflito no centro da Europa que se tornou global. Nem mesmo o conflito nos Balcãs. Mais ainda acrescido pela pandemia que esperamos que esteja a terminar, pelas disrupções na cadeia de abastecimento de determinados produtos, pelo aumento dos custos salariais e dificuldade de retenção de talento em algumas áreas, pelas novas formas de trabalho digital, por um cenário de inflação e aumento das taxas de juro. Paradoxalmente, o mercado de capitais menos exposto ao mercado Russo, não está a sofrer mais quedas que a crise de 2008 ou mesmo que em março de 2020 (início do Covid). O que está a acontecer já não é descrito pelo BANI, que se tornou insuficiente para caracterizar o mundo atual. Julgo que o que a maioria das organizações vai retardar e procrastinar a decisão de investimento (um movimento de deflação de investimento, exceto os capitais que mais estão habitualmente mais expostos ao risco) e ver o que vai acontecer. Já iremos definir a lista de riscos (que podem ter mais ou menos intensidade e mais ou menos duração), mas são inúmeros e exigem líderes determinados e com capacidade de tomar decisões, mesmo arriscadas. Riscos como o roubo; pontualmente de ciberataques e de cibersegurança; de disputa comercial entre países ou de disputas de IP; de nova crise económica e perda de poder de compra por parte dos clientes; de desvalorização cambial nos mercados de exportação; de aumentos dos custos de transporte; de inflação e aumento das taxas de juro; riscos regulamentares; risco de eventos climáticos que possam criar condições negativas no mercado; riscos de contrafação; riscos de um evento terrorista pontal ou de um cenário regular de eventos terroristas subsequentes; riscos de um conflito militar global, regional ou local;  riscos de uma pandemia menos impactante (exemplo a Gripe A) ou uma  pandemia extrema (Covid); riscos de eventos climáticos pontuais (um furacão, por exemplo) ou de eventos climáticos regulares (um período de seca, por exemplo), riscos de ataques ciberataques sistémicos … São inúmeros e não os conseguimos enumerar aqui todos. O que é importante é a resiliência da liderança e a capacidade de encontrar soluções, tomando decisões no meio dos problemas. Porque na “crise, todos choram. Mas alguns vendem lenços de papel”!

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