O que é que o setor segurador devolve à sociedade?

Opinião de Afonso Themudo Barata, CEO da Mudum Seguros

Executive Digest

Por Afonso Themudo Barata, CEO da Mudum Seguros

Vivemos numa sociedade onde a segurança e a proteção são valores fundamentais, e o setor segurador é indispensável para os assegurar. Apesar disso, o grande impacto deste setor na promoção desses dois valores é frequentemente subvalorizado.



A perceção errada mais prevalente é a de que as seguradoras geram grandes lucros ao cobrar os prémios dos seguros (que em linguagem comum significa preço do seguro), mas raramente devolvem algo significativo aos seus clientes. No entanto, só a título de exemplo, no último grande temporal (Martinho), o setor pagou 65 milhões de euros em indemnizações1. Assim sendo, esta visão simplista ignora a verdadeira natureza e complexidade do setor segurador, que se baseia no conceito de mutualidade.

Podemos comparar o princípio da mutualidade com um pacto social de solidariedade: muitos contribuintes participam com pequenas quantias para que, quando alguns deles enfrentam uma adversidade, possa receber um apoio substancial. Este mecanismo não só proporciona segurança financeira, como também fortalece o sentido de comunidade e solidariedade. É um lembrete de que não estamos sozinhos em momentos de necessidade.

Assim, a ideia de que “pago e nunca recebo nada” em relação aos seguros está fundamentalmente errada. Uma vez que (felizmente) a generalidade das pessoas não enfrenta sinistros graves com frequência, não se recorda facilmente de que, quando estes ocorrem, os custos podem ser astronómicos. Um exemplo claro disto é a destruição de uma casa, que pode resultar em indemnizações significativamente superiores aos prémios pagos ao longo dos anos. Por exemplo, a preços de hoje, podemos segurar a nossa casa por aproximadamente 150 euros por ano, mas se essa mesma casa for destruída, pode ter um custo de reconstrução à volta de 200 mil euros, que será a seguradora a suportar.

O setor segurador é um dos pilares que permitem restaurar a normalidade, proteger famílias e empresas, e garantir que as comunidades possam recuperar e prosperar.

Um setor mutualista e e que promove a sustentabilidade

É importante refletirmos também sobre o contributo do setor para a sustentabilidade da sociedade. As seguradoras desempenham um papel vital na reconstrução e recuperação após desastres naturais e outros eventos catastróficos, e este contributo vai além da simples compensação financeira. Ao garantirem a recuperação de património destruído ou danificado, as seguradoras asseguram que as pessoas possam retomar as suas vidas com o mínimo de interrupção possível. Este equilíbrio é essencial para a estabilidade social e económica.

Contributo para serviços essenciais

Um exemplo pouco conhecido deste impacto que o setor segurador tem no quotidiano da sociedade é que para além dos normais impostos sobre os lucros, as taxas e impostos diretos sobre os prémios de seguros financiam serviços vitais como os bombeiros e o INEM. Assim, ao pagarem os seus seguros, os cidadãos estão a contribuir para a manutenção destes serviços essenciais.

Muito mais do que aparenta

Finalmente, mas não menos importante, relembro que as reservas acumuladas pelas seguradoras – conhecidas vulgarmente como provisões – são frequentemente investidas em dívida pública e no mercado de capitais. Estes investimentos constituem uma fonte de financiamento estável e de longo prazo, que é crucial para o desenvolvimento económico, ou seja, as seguradoras desempenham um papel indireto e direto bastante significativo no crescimento e na sustentabilidade da economia.

Em última análise, o setor segurador devolve à sociedade muito mais do que se imagina e é um motor silencioso que a sustenta em momentos críticos. A proteção financeira, a recuperação de património, o financiamento de serviços essenciais e os investimentos na economia são apenas algumas das formas como contribui continuamente para o bem-estar coletivo. Sem ele, a segurança e a proteção de que desfrutamos enquanto sociedade seria apenas uma ilusão.

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