A Finlândia confirmou o seu desejo de se juntar à NATO e agora aguarda pela decisão, em breve, da vizinha Suécia. A possível entrada foi aplaudida pelos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que atualmente fornecem armas e tecnologia à Ucrânia para combater a invasão da Rússia.
O que é a NATO?
A NATO – Organização do Tratado do Atlântico Norte – é uma aliança militar. Foi formada em 1949 por 12 países, incluindo EUA, Reino Unido, Canadá e França, que concordaram numa ajuda mútua em caso de um ataque armado a um dos elementos. A Finlândia vai elevar, no momento, para 31 os países que compõem a aliança, cujo objetivo inicial era combater a expansão russa na Europa após a II Guerra Mundial.
Após o colapso da União Soviética em 1991, muitos dos seus ex-aliados do Leste Europeu juntaram-se à NATO.
Como a Finlândia e a Suécia podem aderir à NATO?
Ambos os países são neutros há muitos anos mas o apoio público à adesão à NATO registou um crescimento expressivo desde que a Rússia invadiu a Ucrânia.
Pode levar até um ano para se inscrever e tornar-se um membro da NATO. Foi esse o motivo que levou o Reino Unido e os Estados Unidos a garantir apoio militar tanto à Suécia como à Finlândia se fossem atacadas antes.
Para aderir à NATO, os países devem ser estado democráticos, tratar as minorias com justiça e comprometer-se a resolver os conflitos de forma pacífica. Devem, por outro lado, oferecer apoio militar à aliança. Tanto a Finlândia – que tem uma fronteira de 1.340 km com a Rússia – como a Suécia têm forças militares altamente capazes.
Os membros da NATO concordaram em disponibilizar 2% do seu PIB em gastos com defesa – a Finlândia já cumpre essa meta e a Suécia garantiu que o fará “assim que possível”.
Por que a NATO não está a enviar tropas para a Ucrânia?
Como a Ucrânia não é membro, a NATO não é obrigada a sair em sua defesa. Os países da aliança temem que, se as suas tropas enfrentassem as forças russos, isso poderia levar a um conflito total entre os russos e o Ocidente. Foi também esse o motivo pelo qual a NATO rejeitou impor uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia.
Por que é que a Rússia se opõe à NATO?
A NATO ofereceu à Ucrânia um caminho para a adesão em 2008. Após a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, a Ucrânia tornou a adesão uma prioridade. Mas não veio a acontecer, principalmente por causa da oposição de longa data da Rússia. Moscovo acredita que a NATO tem vindo a invadir a sua área de influência política ao aceitar novos membros da Europa Oriental e admitiu mesmo que a entrada da Ucrânia seria ter a NATO no seu quintal.
Que armas o Reino Unido e outros países têm enviado para a Ucrânia?
Inicialmente, os países da NATO limitaram os seus fornecimentos a armas defensivas. O Reino Unido e os EUA enviaram milhares de mísseis antitanque e mísseis antiaéreos. A Eslováquia, por exemplo, enviou o seu sistema de defesa antiaérea S-300, que pode destruir aviões a até 400 quilómetros de distância. A Turquia, tal como os EUA, enviaram drones armados com mísseis.
Vários países da NATO têm agora enviado armas mais pesadas, para permitir que a Ucrânia contra-ataque o exército russo. Os EUA estão a disponibilizar helicópteros, artilharia e veículos blindados. O Reino Unido ofereceu milhões de euros em apoio militar às forças armadas ucranianas e planeia enviar veículos blindados, equipamentos de guerra eletrónica e sistemas de radar anti-artilharia. A República Checa enviou tanques T-72 e veículos blindados de infantaria. A Austrália, veículos blindados. O Canadá, artilharia. França e Holanda estão a enviar artilharia autopropulsada e a Alemanha tanques antiaéreos. A UE disse que gastará até 450 milhões de euros para financiar o fornecimento de armas à Ucrânia – a primeira vez que a UE ajuda a fornecer armas a uma zona de guerra.
Quantas tropas tem a NATO na Europa Oriental?
A NATO já tinha tropas que se estendiam desde o Báltico, a norte, até à Roménia, a sul e estão estacionadas lá desde 2014, após a anexação da Crimeia pelos russos. Entretanto, a aliança atlântica já enviou 40 mil homens da sua Força de Resposta para países que fazem fronteira com a Rússia e a Ucrânia. Tem, por fim, caças e navios da marinha em alerta, incluindo porta-aviões, a patrulhar os mares.



