O presente e o futuro do apoio social em Portugal

 Opinião de Patrícia Boura, Presidente Executiva da Fundação do Gil

Executive Digest

 Por Patrícia Boura, Presidente Executiva da Fundação do Gil

Em Portugal, o apoio social tem sido uma resposta essencial às necessidades das populações mais vulneráveis. É um pilar do nosso modelo de sociedade, garantindo que ninguém é deixado para trás, independentemente das adversidades que enfrenta. No entanto, este é também um momento de reflexão: como podemos fortalecer o presente e preparar o futuro do apoio social no nosso país?



A realidade que vivemos hoje é desafiante. Entre crises económicas, envelhecimento demográfico e desigualdades persistentes, o sistema de apoio social enfrenta uma pressão crescente. Ao mesmo tempo, novas oportunidades surgem, com avanços tecnológicos e uma sociedade mais sensibilizada para a importância de soluções solidárias e inclusivas.

Em Portugal, o apoio social é uma responsabilidade partilhada entre o Estado, as instituições do terceiro setor, as empresas e as comunidades. Cada um destes intervenientes desempenha um papel crucial, e a articulação entre eles é a chave para uma resposta eficaz.

Na Fundação do Gil, temos testemunhado como a união de esforços permite ir mais longe. Desde o trabalho com hospitais e escolas até à colaboração com empresas e cidadãos, as redes que construímos garantem que chegamos a crianças e jovens em situações de vulnerabilidade, assegurando-lhes apoio de saúde, educação e integração social.

O presente exige que reforcemos estas redes, não apenas para responder às necessidades imediatas, mas também para criar soluções sustentáveis que previnam futuros ciclos de exclusão social.

O futuro do apoio social em Portugal passa, inevitavelmente, pela inovação. Precisamos de adotar soluções que combinem tecnologia e proximidade humana, garantindo que ninguém é excluído devido a barreiras geográficas, económicas ou sociais.

A digitalização, por exemplo, oferece-nos ferramentas poderosas para mapear necessidades, acompanhar beneficiários e avaliar o impacto das nossas ações. Contudo, não podemos esquecer que o coração do apoio social reside na empatia e no contacto humano. A tecnologia deve ser um complemento, não um substituto.

Outro ponto essencial é a colaboração intersetorial. O futuro exige que as instituições sociais, como a Fundação do Gil, trabalhem cada vez mais em conjunto com o Estado, empresas privadas e universidades. Esta troca de conhecimento e recursos permite criar respostas integradas e adaptadas às necessidades reais das comunidades.

No horizonte, enfrentamos desafios que requerem soluções ousadas e inovadoras. As alterações climáticas, por exemplo, têm um impacto direto nas populações mais vulneráveis, aumentando a necessidade de respostas sociais ágeis e preventivas.

Por outro lado, o envelhecimento populacional coloca uma pressão acrescida sobre os recursos sociais, exigindo que repensemos a forma como cuidamos dos mais velhos, enquanto garantimos o apoio às gerações mais jovens.

Além disso, a questão da equidade deve estar no centro de qualquer estratégia futura. O apoio social não pode ser uma resposta genérica, deve ser inclusivo e sensível às diferenças culturais, económicas e geográficas que moldam as realidades das pessoas.

Acredito que o futuro do apoio social em Portugal deve assentar em três pilares: proximidade, sustentabilidade e inovação. Ao longo de quase três décadas, temos trabalhado para construir soluções que não apenas respondam às necessidades de hoje, mas que também preparem as crianças e jovens para o futuro.

O futuro do apoio social em Portugal não é responsabilidade de uma só entidade ou setor. É um desafio coletivo, que exige o contributo de todos nós — cidadãos, empresas, instituições e governo.

Se queremos um país mais inclusivo e solidário, temos de trabalhar em conjunto, reconhecendo que o apoio social não é apenas um direito, mas também um dever. A forma como cuidamos dos mais vulneráveis reflete os valores que nos definem enquanto sociedade.

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