O plano para ter bebés na Lua já existe — mas pode esconder um risco que ninguém consegue controlar

Durante décadas, houve duas revoluções que mudaram tudo — mas que nunca se tocaram

Francisco Laranjeira

Durante décadas, houve duas revoluções que mudaram tudo — mas que nunca se tocaram. De um lado, a conquista do espaço, com o homem a pisar a Lua em 1969. Do outro, a ciência da reprodução, que poucos anos depois permitiu o nascimento do primeiro bebé concebido em laboratório.

Agora, essas duas histórias começam finalmente a cruzar-se. E, como escreve o jornal ‘ABC’, desse encontro nasce uma pergunta desconfortável: estaremos preparados para nascer fora da Terra?

Viver no espaço já é plano. Nascer lá… ainda não

A ideia de uma base lunar deixou de ser ficção científica. A NASA aponta para a próxima década como o início de uma presença humana prolongada fora do planeta.

Mas há um detalhe que ficou para segundo plano — e que pode ser decisivo.

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Podemos trabalhar no espaço. Podemos viver lá durante meses. Mas ter filhos? Ninguém sabe ao certo se é seguro. E, segundo um estudo recente citado pela publicação espanhola, tudo indica que o ambiente espacial pode ser muito mais agressivo do que imaginamos.

Um ambiente que joga contra a vida

O problema começa naquilo que não se vê.

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A radiação cósmica, constante e invisível, pode danificar o ADN. A ausência de gravidade altera o funcionamento das células. E os ritmos biológicos entram em colapso num lugar onde o “dia” e a “noite” deixam de fazer sentido.

Não é apenas uma questão de adaptação. É uma questão de sobrevivência celular.

E quando se fala de reprodução, isso muda tudo.

Os sinais que preocupam os cientistas

Os dados ainda são escassos — mas os que existem não tranquilizam.

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Experiências com animais mostram que o material genético pode sofrer danos no espaço. Em alguns casos, esses danos foram corrigidos quando a reprodução ocorreu na Terra.

Mas há uma pergunta que continua sem resposta: o que acontece se a conceção e o desenvolvimento acontecerem no espaço, sob exposição constante?

Ninguém sabe. E é isso que mais preocupa.

O risco invisível: alterações genéticas

No caso das mulheres, o impacto pode ser irreversível. Os óvulos existem desde o nascimento e não se renovam. Se forem danificados pela radiação, não há forma de voltar atrás.

Nos homens, a produção de esperma é contínua, mas as células que a sustentam também podem sofrer danos permanentes.

O cenário mais inquietante não é apenas a infertilidade.

É a possibilidade de nascerem crianças com alterações genéticas provocadas por esse ambiente extremo.

Quando a solução deixa de ser natural

Perante este cenário, a resposta pode não estar na biologia — mas na tecnologia.

Fertilização in vitro, criopreservação, bancos de embriões protegidos da radiação, sistemas automatizados capazes de garantir condições controladas.

Ideias que parecem futuristas… mas que, segundo os especialistas citados pelo ‘ABC’, estão cada vez mais próximas de se tornar realidade.

Se a natureza não conseguir acompanhar, será a ciência a abrir caminho.

E depois entra a parte mais difícil

Mas há perguntas que a tecnologia não resolve.

O que acontece se alguém engravidar antes de uma missão? Devem existir testes genéticos obrigatórios para quem quiser viver fora da Terra? Até que ponto é aceitável intervir na própria reprodução humana?

Aqui, a discussão deixa de ser científica. Passa a ser ética.

Uma corrida onde não há margem para erro

O aviso dos especialistas é claro: estamos a aproximar-nos de uma realidade para a qual ainda não existem regras.

A presença humana no espaço está a crescer. Mas a capacidade de antecipar riscos — e de definir limites — não está a acompanhar ao mesmo ritmo.

E, como lembra o ABC mais adiante, há um padrão que se repete: a tecnologia avança primeiro, as regras chegam depois.

Só que, desta vez, pode ser tarde demais.

A verdadeira pergunta

No fim, tudo se resume a isto. Não é saber quando nascerá o primeiro bebé fora da Terra.

É perceber se, quando esse momento chegar… estaremos preparados para as consequências.

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