Por Érica Pereira | Directora Professional Talent Solutions da Randstad Portugal
Portugal tem uma das populações mais envelhecidas da Europa, o que se traduz num acentuado envelhecimento da força de trabalho. Com a escassez de talento e a diminuição da população ativa, os trabalhadores entre os 55 e os 64 anos tornam-se essenciais para manter a produtividade e a sustentabilidade económica.
Enquanto algumas grandes empresas e multinacionais já reconhecem a importância e mais valia de integrar estes profissionais nas suas estruturas, a maioria das Pequenas e Médias Empresas, que constituem a espinha dorsal da economia portuguesa, ainda não internalizou totalmente a urgência ou a forma de atuar perante esta realidade.
Os dados do recente estudo da Randstad revelam que, um em cada cinco profissionais ativos em Portugal tem entre 55 e 64 anos. Para além da gravidade do cenário demográfico ser um desafio existencial, a velocidade da mudança é demasiado lenta em relação à velocidade do envelhecimento populacional. Serão necessários incentivos fiscais mais fortes, a eliminação do idadismo nos processos de recrutamento e um investimento massivo em tecnologia para que as empresas consigam operar com apenas 70% da sua capacidade de renovação.
O dado mais alarmante para qualquer gestor é a taxa de renovação geracional do seu negócio. Em Portugal, por cada dez profissionais que se preparam para sair do mercado, entram menos de sete jovens. Temos a quarta pior taxa da União Europeia neste indicador e este défice estrutural significa que a substituição natural de talento é praticamente impossível no curto prazo. A sobrevivência das organizações dependerá da sua capacidade de prolongar a vida ativa e, acima de tudo, de valorizar o conhecimento destes profissionais. O talento sénior traz ativos de maturidade, resiliência e profundidade de conhecimento que a Geração Z só pode adquirir com o tempo e a experiência, no entanto esta responde positivamente com a agilidade e inovação trazendo uma nova perspectiva sobre o trabalho. Empresas que investem ativamente em equipas intergeracionais tendem a apresentar melhores resultados e maior competitividade.
As dificuldades de reintegração que este grupo ainda enfrenta, especialmente no desemprego de longa duração, são uma perda de produtividade insustentável, sendo o prolongamento da vida ativa crucial. No entanto, é necessário garantir que isso signifique trabalhar melhor e com condições adequadas, em vez de trabalhar mais anos. Esta mudança de paradigma tem de se focar na qualidade do trabalho e na gestão da longevidade.
Se nos focarmos na saúde e no bem-estar do trabalhador, na adaptação do posto de trabalho e na valorização contínua das suas competências o prolongamento da vida ativa deixa de ser um fardo e passa a ser uma contribuição valiosa e sustentável para o desenvolvimento económico e pessoal.
Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 238 de Janeiro de 2026














