Por Manuel Falcão, conselho executivo da Nova Expressão, planeamento de media e publicidade
Está a crescer de forma muito rápida desde que nasceu, na China, em 2016.
TRATA-SE DE UMA APLICAÇÃO DE PARTILHA DE VÍDEOS CURTOS que logo um ano depois de lançar a sua versão original atacou o mercado internacional, onde tem registado milhões de adesões. Actualmente, em termos mundiais, o Tik Tok tem 1,7 mil milhões de utilizadores, 56% dos quais são do sexo feminino e que fazem uma média de 13 acessos por dia à rede, gastando nela 65 minutos diários. Em Portugal, os números já são também significativos: 1,8 milhões de utilizadores, 65% dos quais mulheres, com uma média de sete acessos por dia e 50 minutos de utilização diária. 12% dos utilizadores portugueses têm entre 13 e 14 anos, 32% entre 14 e 18 anos, 36% entre 19 e 24 anos e 20% estão acima dos 25 anos. Em Portugal, o crescimento verificou-se sobretudo em Março e Abril, com um aumento de 36% de utilizadores. O Tik Tok tem um marketing agressivo – por exemplo no Reino Unido fez já este ano uma grande campanha de televisão, colocada em programas de grande audiência. O Tik Tok faz parte da Bytedance, a mais valiosa start-up digital, que está avaliada em 78 mil milhões de dolares, e foi fundido com a plataforma Musical.ly, que também foi adquirida pela Bytedance em 2017 por 1000 milhões de dólares. A pandemia e o confinamento generalizado impulsionaram a utilização da aplicação, que nesse período foi o palco de pequenos vídeos vindos de todo o mundo que mostravam a experiência dos que tinham de ficar em casa – um dos hashtags que lançou, #LifeAtHome, alcançou dois mil milhões de visualizações a nível global. A audiência do Tik Tok vem de jovens que se fartaram de outras redes sociais, como o Facebook por exemplo, e até há pouco tempo era raro encontrar utilizadores com mais de 25 anos – o Tik Tok está agora apostado em alargar a sua base e daí recorrer a campanhas em meios como a televisão, preferindo-os ao outdoor, que também utilizou antes. A aposta em TV no Reino Unido escolheu programas como o Got Talent e o Modern Family. No início deste ano, o Tik Tok foi a aplicação que teve maior número de downloads fora do universo muito específico dos jogos online e a rapidez de crescimento da nova rede levou o próprio Mark Zuckerberg a manifestar preocupação pela inesperada concorrência que lhe está a roubar utilizadores ao Facebook. A resposta não se fez esperar e entretanto Zuckerberg lançou uma aplicação rival, a Lasso, que no entanto não tem tido grande êxito. Entre-tanto o Tik Tok continua a crescer em todo o mundo e há poucas semanas contratou Kevin Mayer, um veterano da Walt Disney, para dirigir toda a sua operação como CEO.
Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 171 de Junho de 2020




