Cientistas acreditam que pode haver um ‘anti-universo’ ao lado do nosso – onde o tempo corre para trás

Teoria publicada na revista científica ‘Annals of Physics’ revelou efeitos das simetrias na natureza para justificar possibilidade

Francisco Laranjeira

Pode haver outro “anti-universo”, de acordo com uma teoria divulgada na revista científica ‘Annals of Physics’, que pode estar a retroceder no tempo antes do Big Bang – o Big Bang é a teoria cosmológica dominante sobre o desenvolvimento inicial do universo, no qual os cosmólogos usam o termo para se referir à ideia de que o universo estava originalmente muito quente e denso em algum tempo finito no passado.

A confirmarem-se os pressupostos da teoria, pode significar que a matéria escura não é tão misteriosa mas um novo ‘sabor’ de uma partícula fantasmagórica chamada neutrino que só pode existir nesse tipo de universo. A teoria implica ainda que não haveria necessidade de um período de “inflação” que expandisse rapidamente o tamanho do jovem cosmos logo após o Big Bang. Assim, diversas experiências para encontrar ondas gravitacionais, ou para determinar a massa de neutrinos, poderiam responder de uma vez por todas se de facto esse “anti-universo” realmente existe.



Diversos físicos identificaram um conjunto de simetrias fundamentais na natureza. As três simetrias mais importantes são: carga (se inverter as cargas de todas as partículas envolvidas numa interação para as suas cargas opostas vai obter a mesma interação), paridade (se olhar para uma imagem espelhada de uma interação vai obter o mesmo resultado) e tempo (se executar uma interação para trás no tempo, a aparência será a mesma).

As interações físicas obedecem à maioria dessas simetrias, o que significa que às vezes há violações. Mas os físicos nunca observaram uma violação de uma combinação de todas as três simetrias ao mesmo tempo. Essa simetria fundamental recebe um nome: simetria CPT, para carga (C), paridade (P) e tempo (T).

Os cientistas propõem-se estender essa simetria combinada: normalmente, essa simetria aplica-se apenas às interações – as forças e os campos que compõem a física do cosmos. Mas talvez, se esta é uma simetria tão incrivelmente importante, ela aplica-se a todo o universo. Em outras palavras, essa ideia estende essa simetria da aplicação apenas aos “atores” do universo (forças e campos) e ao próprio “estágio”, todo o objeto físico do universo.

Vivemos num universo em expansão e a evolução do universo avança no tempo. Se estendermos o conceito de simetria CPT a todo o nosso cosmos, a nossa visão do universo não poderá ser a imagem completa. Tem de haver mais. Para preservar a simetria CPT em todo o cosmos, deve haver um cosmos espelhado que equilibre o nosso. Este cosmos teria todas as cargas opostas às nossas, seria invertido no espelho e retrocederia no tempo – ou seja, o nosso universo é apenas um de um gémeo. Em conjunto, os dois universos obedecem à simetria CPT.

Nunca teríamos acesso ao nosso gémeo porque existe atrás do nosso Big Bang, antes do início do nosso cosmos.

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