Por Tiago Monteiro, Fundador e CEO Global da Luza Group
Num mundo em constante mudança e com um ritmo de desenvolvimento tecnológico acelerado, a engenharia terá um papel crucial na construção de um futuro mais sustentável e interligado. A capacidade de integrar novas tecnologias e de apostar na sustentabilidade coloca o setor na linha de frente para enfrentar desafios que vão desde as alterações climáticas até a escassez de recursos.
Acredito que os profissionais desta área terão o potencial não só de transformar as infraestruturas, mas também os sistemas que sustentam a nossa sociedade, promovendo a descarbonização e tornando-se num fator vital para a competitividade das empresas.
Só para ter uma noção: os edifícios representam 40% da energia consumida e 36% das emissões diretas e indiretas de gases com efeito de estufa (GEE) relacionadas com a energia na UE. O principal objetivo da revisão da Diretiva de Desempenho Energético dos Edifícios é tornar todos os novos edifícios com emissões nulas até 2030, alargando essa meta a todos os edifícios existentes até 2050.
Em Portugal, a Estratégia de Longo Prazo para a Renovação dos Edifícios propõe uma poupança de energia primária de 11% até 2030 e de 34% até 2050 nos edifícios e o aumento significativo da área renovada.
Tendo em conta este cenário, facilmente se percebe a necessidade de o setor da engenharia se reinventar com o propósito de se tornar mais conectado e verde. Por isso, quem quer acompanhar o futuro da engenharia deve estar atento à transformação digital, o pilar da nova era para os engenheiros, que estão perante novos modelos de negócio e de formas de produção, principalmente com os avanços da Inteligência Artificial (IA), da Internet das Coisas (IoT) e do big data. Estas tecnologias estão a transformar a forma como se projetam e gerem projetos, auxiliando os engenheiros a automatizar tarefas repetitivas, a analisar grandes volumes de informações e a otimizar processos sem precedentes. E muitas das vezes tudo isto de forma totalmente remota.
A IA, por exemplo, é capaz de prever falhas em sistemas antes mesmo que ocorram, garantindo uma abordagem proativa na manutenção e gestão de infraestruturas. Por sua vez, a IoT, conecta dispositivos e sensores, permitindo a recolha de dados em tempo real, o que melhora a eficiência e a eficácia das operações. Já o big data fornece informação que ajuda a tomar decisões assertivas e a identificar padrões e tendências que antes passavam despercebidas.
No entanto, todos estes avanços só fazem sentido se tiverem como premissa a sustentabilidade. Afinal, uma verdadeira evolução só se torna efetiva quando tem por trás um crescimento sustentável e uma mentalidade de longo prazo. Aqui, podemos destacar iniciativas que promovem o uso das energias renováveis. Neste ponto, uma solução que chama logo a atenção são os veículos elétricos, que reduzem as emissões de gases de efeito estufa. Outra inovação relevante é a mobilidade urbana inteligente, que promove a utilização de recursos disponíveis e reduz o congestionamento nas cidades.
Em suma, o futuro da engenharia está a moldar-se rapidamente em torno de um compromisso com a digitalização e a sustentabilidade. E a verdade é que, à medida que o setor implementa tecnologias inovadoras e ecológicas, dá também mais um passo na construção de uma realidade mais eficiente e sustentável. Ou seja, mais do que apenas tendências, estamos a falar de um novo mundo que se quer verde e interligado. Por isso, prepare-se para recebê-lo.




