O desinteresse… face ao Estado!

Por Ricardo Florêncio
ricardo.florencio@multipublicacoes.pt

É chocante, mas talvez não surpreendente, a indiferença e o desinteresse com que a larga maioria dos portugueses trata, ou observa, as matérias relacionadas com o Estado

A leveza com que se refere o “Estado atribui”, o “Estado dá”, o “Estado disponibiliza”, o “Estado apoia”, o “Estado empresta” (mas sem se ter muito a certeza se vai ter uma aplicação razoável e/ou com retorno), deveria merecer a nossa maior atenção. Mas não! A indiferença é total! É como se este Estado fosse uma entidade alienígena, um ser estranho. Pois desenganem-se! O Estado somos todos nós! Somos todos nós que fornecemos as receitas do Estado! Quando recebemos, quando pagamos, quando adquirimos algum bem ou serviço, estamos a dar receitas ao Estado. Através dos impostos directos, indirectos, taxas, e afins, somos nós todos os financiadores do Estado. Depois, cabe aos nossos políticos e demais responsáveis, eleitos, escolhidos e seleccionados para o efeito, uma parcimoniosa gestão desses meios. Mas também nos cabe, a nós, irmos verificando, questionando essas aplicações, esses investimentos, esses gastos. E que não se veja esta situação como um controlo negativo, de quem se pensa que age mal ou incorrectamente. Nada disso! Esta nossa preocupação, estas nossas questões, deverão também ter o condão e objectivo de ajudar o próprio Estado a escolher as melhores opções. Contudo, o que se verifica infelizmente não é nada disto. É um divórcio, um desinteresse total dos portugueses por esta situação. E isso, é mesmo muito preocupante!

Editorial publicado na revista Executive Digest n.º 145 de Abril de 2018

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