O crescimento na “cepa torta”!

Por Ricardo Florêncio

Deve haver razões muito profundas que obrigam a estudos e mais estudos, a milhares de horas de discussão e debate, para demonstrar a razão de Portugal não crescer.

É verdade que nos últimos anos temos crescido, nomeadamente desde 2014, mas sempre com timidez. Nunca com
aqueles números que possam impressionar, números que nos faziam encher de orgulho e mostrar aos demais do que somos capazes. Se analisarmos os mapas do crescimento do PIB nos restantes países da União Europeia, vemos que, desde o ano 2000, alguns deles apresentaram números gordos, substanciais, até com dois dígitos. Pelo
nosso lado, o melhor foi mesmo nos últimos dois anos, e, mesmo assim, nunca acima dos 3%. Deixando as lamúrias de lado, interessava mesmo perceber o porquê de não conseguirmos crescer com ímpeto. Temos todas as condições, reunimos todas as caraterísticas necessárias para que possamos crescer mais. Temos das melhores redes de infra-estruturas, temos um desenvolvimento tecnológico acima da média, temos conhecimento, temos pessoas altamente qualificadas. Então, o que falta? Também não é por falta de vontade, pois a iniciativa privada tem mais que provado que é capaz e que tem energia suficiente. Será que o receio das possíveis alterações da carga fiscal, e alguma incerteza sobre possíveis alterações legislativas que penalizem as empresas, é razão suficiente? E do lado do Estado? O que pode fazer mais, para que este crescimento tenha mais volume e substância?

É nestes assuntos que todos devíamos investir o tempo e atenção.

Editorial publicado na revista Executive Digest nº 157 de Abril de 2019

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