O argumento para que os investidores europeus finalmente regressem a casa

Opinião de Rolandas Juteika, Head of Wealth and Trading EEA na Revolut

Executive Digest
Março 2, 2026
12:59

Por Rolandas Juteika, Head of Wealth and Trading EEA na Revolut

Durante anos, a estratégia padrão para os investidores europeus foi simples – olhar para Oeste – o que tornou o S&P 500 o destino predefinido para o capital. No entanto, à medida que avançamos em 2026, as fissuras nesta estratégia começam a tornar-se dispendiosas. Investir em ações dos EUA exige normalmente a conversão de euros em dólares e vice-versa ao sair do investimento, por isso, investir em ações norte-americanas nunca é apenas uma aposta numa empresa, mas também uma aposta no dólar.



Para os investidores da zona euro, os últimos dois anos foram uma “masterclass” sobre risco cambial. Em 2024, o fortalecimento do dólar funcionou como um vento favorável, transformando um ganho sólido de 25% no S&P 500 num retorno de 30% para quem detinha euros. Em 2025, a maré mudou: a queda de quase 14% do dólar “taxou” efetivamente os investidores europeus.

Se adicionarmos o “tempero” de tarifas agressivas e fricções transatlânticas, investir onde se gasta parece ser uma cobertura mais estratégica para os investidores europeus. Embora as ações dos EUA tenham avançado em 2024 e 2025, as ações europeias também registaram ganhos sólidos. O índice de referência pan-europeu STOXX Europe 600, que acompanha 600 empresas de grande, média e pequena capitalização em mercados europeus desenvolvidos, subiu cerca de 9% em 2024 (em termos de retorno total em euros) e aproximadamente 21% em 2025.

Estes resultados podem ilustrar um interesse renovado nos mercados europeus após anos de atraso em relação aos homólogos norte-americanos, refletindo a melhoria dos lucros empresariais e do sentimento dos investidores na região. Para os investidores do EEE que detêm euros, as ações europeias em 2025 ofereceram uma vantagem significativa, com retornos cerca de 20 pontos percentuais superiores aos das ações dos EUA, uma vez contabilizados os efeitos cambiais.

O interesse em ações europeias entre os investidores do EEE tem aumentado de forma constante nos últimos anos. O crescimento é sustentado não só pelo forte desempenho do mercado, mas também pela mudança no comportamento dos investidores: o número de clientes a investir em ações do EEE durante 2025 na Revolut cresceu 110%, enquanto os ativos sob gestão em ações europeias subiram 255%. Em média, os investidores aumentaram a sua alocação a ações do EEE nas suas carteiras em 68%.

Será este o “despertar do retalho” que os responsáveis da UE esperavam, enquanto a União dos Mercados de Capitais permanecia uma aspiração? Mais recentemente, o Relatório Draghi sobre a competitividade europeia sublinhou que fechar o fosso de produtividade com os EUA é um desafio “existencial” que exige um aumento sem precedentes no investimento. Durante anos, a questão foi de onde viria esse dinheiro.

A resposta começa agora a chegar dos bolsos dos investidores europeus. À medida que o dólar continua a enfraquecer, o investimento mais patriótico que se pode fazer – apostar no mercado europeu – pode também ser o mais inteligente. Pode ser o momento de o capital europeu finalmente regressar a casa.

 

*Este artigo tem fins meramente informativos e não constitui aconselhamento de investimento, recomendação pessoal ou uma oferta de compra ou venda de quaisquer instrumentos financeiros. As opiniões expressas são do próprio autor. Investir envolve riscos, incluindo a potencial perda de capital. O desempenho passado não é um indicador fiável de resultados futuros.

 

 

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