A implementação total do novo Sistema de Entrada e Saída da União Europeia (EES, na sigla inglesa), baseado no registo biométrico de viajantes, foi adiada para setembro de 2026, depois de crescentes receios de perturbações graves no tráfego aéreo, marítimo e ferroviário durante o verão. A confirmação foi feita pela Comissão Europeia, na sequência dos problemas registados desde o início da aplicação faseada do sistema, que arrancou em outubro de 2025 nos aeroportos e portos do espaço europeu.
O EES, que substitui o tradicional carimbo manual de passaportes, obriga viajantes isentos de visto provenientes de países terceiros, como o Reino Unido e os Estados Unidos, a registarem dados biométricos — incluindo impressões digitais e imagem facial — em quiosques específicos nos pontos de entrada. A expansão progressiva do sistema tem sido acompanhada por dificuldades operacionais, com longas filas e atrasos significativos, levando em alguns casos a que passageiros perdessem voos, travessias de ferry ou ligações através do Eurotúnel.
Inicialmente, os Estados-membros estavam obrigados a registar apenas 10% das entradas de cidadãos de países terceiros, percentagem que aumentou para 35% a partir de 9 de janeiro, alargando o sistema a dezenas de novos aeroportos e portos. No entanto, um relatório divulgado no final de 2025 pelo Airport Council International (ACI) Europe concluiu que o lançamento gradual do EES provocou um aumento de até 70% nos tempos de processamento do controlo fronteiriço nos aeroportos, com tempos de espera que chegaram a três horas nos períodos de maior afluência.
Em dezembro, o Aeroporto de Lisboa foi forçado a suspender o sistema por três meses, depois de “deficiências graves” nos controlos de fronteira terem provocado tempos de espera considerados excessivos, que, segundo relatos, chegaram a atingir sete horas. Este episódio reforçou as preocupações em torno da capacidade das infraestruturas para lidar com o sistema em plena época alta.
A decisão de adiar a plena implementação do EES foi justificada pela Comissão Europeia com a necessidade de garantir uma transição mais controlada. Em conferência de imprensa, a 30 de janeiro, o porta-voz da Comissão, Markus Lammert, explicou que “a implementação de um sistema desta dimensão é uma tarefa complexa” e sublinhou que, ao prolongar a flexibilidade durante o período de verão, a União Europeia dá aos Estados-membros “as ferramentas necessárias para gerir potenciais problemas e, sobretudo, evitar o caos nas viagens estivais”. Com este adiamento, os países passam a dispor de maior margem para ajustar a recolha de dados biométricos à capacidade real dos seus hubs de transporte.
Para os viajantes, a medida significa que, nos próximos meses, o controlo fronteiriço poderá continuar a ser feito através do carimbo manual do passaporte em muitos pontos de entrada. A decisão surge após críticas reiteradas do setor da aviação e do turismo, que alertaram para o “desconforto significativo” imposto aos passageiros. O diretor-geral do ACI Europe, Olivier Jankovec, avisou que a expansão do sistema “resultará inevitavelmente em congestionamentos muito mais severos e perturbações sistémicas” para aeroportos e companhias aéreas, podendo mesmo criar “riscos sérios de segurança”. Já a associação britânica do setor das viagens, ABTA, apelou às autoridades fronteiriças para que recorram de forma mais eficaz a medidas de contingência, defendendo que estas podem ser usadas para minimizar atrasos e melhorar o fluxo de passageiros.














