Filho da princesa herdeira da Noruega vai hoje a julgamento por dezenas de crimes de violação e violência

Tem início esta terça-feira, em Oslo, o julgamento de Marius Borg Høiby, filho da princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, acusado de um vasto conjunto de crimes, incluindo quatro acusações de violação, num processo que deverá prolongar-se até 19 de março e que tem vindo a gerar forte atenção mediática no país.

Pedro Zagacho Gonçalves

Tem início esta terça-feira, em Oslo, o julgamento de Marius Borg Høiby, filho da princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, acusado de um vasto conjunto de crimes, incluindo quatro acusações de violação, num processo que deverá prolongar-se até 19 de março e que tem vindo a gerar forte atenção mediática no país.

Marius Borg Høiby, de 29 anos, enfrenta um total de 32 acusações, segundo o enquadramento judicial inicialmente divulgado, abrangendo crimes de violação, episódios de violência física, ameaças e abuso contra várias mulheres, incluindo a influencer Nora Haukland. Entre os factos imputados constam ainda acusações de ter filmado os genitais de várias mulheres sem o seu conhecimento ou consentimento.

O julgamento decorre no tribunal distrital de Oslo e contará com o depoimento de mais de 40 testemunhas, entre vítimas, agentes da polícia e figuras públicas ligadas ao meio digital, num processo considerado de elevada complexidade pela multiplicidade de queixas e pela notoriedade do arguido.

O início do julgamento acontece apenas dois dias depois de Marius Borg Høiby ter sido detido pela polícia de Oslo, no domingo à noite, na sequência de novas suspeitas criminais. As autoridades acusam-no de ter agredido uma mulher, ameaçado a vítima com uma faca e violado uma ordem de restrição, factos alegadamente ocorridos às vésperas do julgamento.

Em comunicado, a polícia confirmou que “o distrito policial de Oslo pode confirmar que Marius Borg Høiby foi detido no domingo à noite”, acrescentando que o Ministério Público pretende que o arguido permaneça em prisão preventiva durante quatro semanas, invocando o risco de reincidência.

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De acordo com informação judicial mais recente, o processo agora em julgamento inclui 38 infrações penais, número que reflete o alargamento das acusações ao longo da investigação. O arguido reconheceu algumas acusações de menor gravidade, mas contesta as imputações mais sérias, incluindo as relacionadas com crimes de violação.

Várias ex-companheiras integram o processo como assistentes, estando em vigor uma ordem judicial que proíbe qualquer contacto entre o arguido e as vítimas.

Caso judicial cruza-se com polémica envolvendo a família real
O julgamento de Marius Borg Høiby decorre num contexto particularmente sensível para a família real norueguesa, depois de terem sido divulgados, nos Estados Unidos, documentos judiciais que revelam contactos prolongados entre a princesa Mette-Marit e o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, entre 2011 e 2014.

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Segundo a informação tornada pública, o nome da princesa surge mais de mil vezes nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça norte-americano. O palácio real confirmou que Mette-Marit esteve durante quatro dias na residência de Epstein, em Palm Beach, em 2013, e que se encontrou com ele em várias ocasiões, embora nunca tenha visitado a sua ilha privada.

No sábado, a princesa herdeira apresentou um pedido público de desculpas, classificando esses contactos como “simplesmente embaraçosos” e reconhecendo ter demonstrado “fraco discernimento”.

Mette-Marit casou com o príncipe herdeiro Haakon em 2001, integrando Marius Borg Høiby, filho de uma relação anterior, na família real norueguesa. O príncipe Haakon é o herdeiro da coroa.

O tribunal prevê que as audiências se prolonguem até meados de março, com conclusão apontada para o dia 19. Caso venha a ser considerado culpado das acusações mais graves, Marius Borg Høiby poderá enfrentar uma pena máxima de 16 anos de prisão, de acordo com a legislação penal norueguesa.

O processo é acompanhado de perto pela opinião pública e pelos meios de comunicação social, não apenas pela gravidade das acusações, mas também pelo impacto institucional que o caso tem na monarquia da Noruega.

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