A Comissão Europeia confirmou esta quinta-feira que recebeu dos Estados Unidos uma proposta de texto para a declaração conjunta que deverá formalizar os termos do novo entendimento comercial entre as duas potências.
“Posso confirmar que recebemos um texto dos EUA com as suas sugestões para nos aproximarmos da finalização do documento, por isso vamos analisá-lo agora”, afirmou o porta-voz de Comércio da Comissão, Olof Gill, em conferência de imprensa em Bruxelas.
O avanço surge pouco mais de duas semanas depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, terem apertado mãos sobre o acordo preliminar, durante um encontro no clube de golfe do líder norte-americano, na Escócia, a 27 de julho.
Desde então, Trump implementou uma tarifa-base de 15% para produtos abrangidos pelo pacto, mas vários elementos-chave ainda não entraram em vigor. Entre as medidas em falta está a prometida redução das tarifas sobre automóveis, que permanecem nos 27,5%, e a suspensão de taxas de 50% sobre aço e alumínio.
Olof Gill explicou que vão decorrer contactos “a nível técnico e político” com os homólogos norte-americanos para fechar o texto, sublinhando que Bruxelas está “totalmente focada e comprometida em ter essa declaração conjunta finalizada e pronta o mais rápido possível”.
O responsável admitiu que o processo será feito “num vai e vem” entre as duas partes: “Vamos trocá-lo para a frente e para trás até chegarmos a um texto final — e espero que possamos chegar lá em breve”. No entanto, recusou avançar prazos concretos para a conclusão.
O texto agora em discussão não será um tratado comercial formal, mas sim uma declaração política de algumas páginas que servirá de roteiro para futuras negociações. O documento deverá definir as áreas prioritárias para aprofundar o comércio transatlântico, mantendo margem para ajustes posteriores.
Segundo um resumo da Comissão, as tarifas sobre produtos farmacêuticos e semicondutores permanecem a zero nesta fase. Contudo, Washington iniciou já uma investigação para avaliar se estes setores deverão ser alvo de novas taxas, que, caso avancem, não excederão os 15% agora fixados como valor de referência.














