Sondagem: AD e PS reforçam intenções de voto em agosto e Chega também sobe

A Aliança Democrática (AD), o Partido Socialista (PS) e o Chega registaram subidas nas intenções de voto na primeira metade de agosto, ainda antes da fase mais grave dos incêndios florestais e do discurso do primeiro-ministro na Festa do Pontal.

Revista de Imprensa
Agosto 22, 2025
8:56

A mais recente sondagem da Intercampus para o Jornal de Negócios, Correio da Manhã e CMTV revela ganhos para os três principais partidos políticos portugueses. A Aliança Democrática (AD), o Partido Socialista (PS) e o Chega registaram subidas nas intenções de voto na primeira metade de agosto, ainda antes da fase mais grave dos incêndios florestais e do discurso do primeiro-ministro na Festa do Pontal.

De acordo com os dados recolhidos entre 7 e 14 de agosto, a coligação PSD-CDS passou de 24,2% em junho para 27,2% das preferências, um aumento de três pontos percentuais. Também o PS registou uma evolução idêntica, subindo de 21,7% para 24,1%, ficando assim acima do resultado obtido nas legislativas de maio, em que tinha alcançado 22,7%. Já o Chega, liderado por André Ventura, reforçou igualmente a sua posição, mas de forma mais moderada, ao crescer 2,2 pontos para 20,8%.

Entre os restantes partidos com assento parlamentar, apenas a Iniciativa Liberal conseguiu ganhos, com uma subida de 0,9 pontos percentuais em relação a julho, ultrapassando o Livre. O partido de Rui Tavares sofreu a maior queda, descendo 3,5 pontos e voltando à quinta posição. A CDU também perdeu terreno, caindo de 2,9% nas legislativas para 1,6% em agosto. Já o Bloco de Esquerda e o PAN mantiveram-se estáveis.

A sondagem não reflete ainda os efeitos da crise dos incêndios nem da rentrée política no Pontal. No encontro algarvio, Luís Montenegro defendeu a atuação “discreta” do Governo no combate às chamas, argumentando que era preciso “primeiro ganhar a guerra” antes de avaliar os prejuízos. O primeiro-ministro anunciou ainda a intenção de alterar a lei para acelerar processos contra incendiários e criticou a comunicação social, bem como algumas forças políticas, por pedirem ao Tribunal Constitucional decisões de natureza política.

As declarações de Montenegro foram alvo de críticas. O PS acusou o primeiro-ministro de estar “alheado” da realidade, sublinhando a ausência de referências à saúde no seu discurso, enquanto André Ventura questionou se “o primeiro-ministro anda tonto” por manter a festa no Algarve em plena tragédia dos incêndios. Na primeira quinzena de agosto, já tinham ardido cerca de 140 mil hectares, o pior registo desde 2017, com três vítimas mortais confirmadas, incluindo um bombeiro.

No que respeita à avaliação dos líderes partidários, a sondagem revela estabilidade. Apenas André Ventura regista uma ligeira melhoria, passando de 2,4 para 2,6 pontos numa escala de 1 a 5. Segundo a Intercampus, “os valores apresentam-se todos negativos”, sendo que nenhum dirigente partidário alcança uma apreciação positiva.

A sondagem, realizada entre 7 e 14 de agosto, antecede assim os momentos políticos e sociais mais marcantes deste verão, pelo que os resultados podem sofrer alterações nas próximas semanas à medida que o impacto da crise dos incêndios e da rentrée política se refletir no eleitorado.

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