Quem era Dmitry Utkin, o militar ucraniano de elite com um passado obscuro e que fundou o Grupo Wagner

Na realidade, era um ex-soldado de elite ucraniano, com um passado obscuro, quem partilhou com Prigozhin as ‘honras’ de fundador do grupo Wagner: Dmitry Valerievich Utkin.

Pedro Gonçalves
Agosto 23, 2023
22:10

Dmitry Utkin, um dos fundadores do grupo Wagner e ex-oficial das forças especiais russas era um dos passageiros do jato privado que se despenhou hoje a norte de Moscovo, em que todos os ocupantes morreram, incluindo Prigozhin.

Yevgeny Prigozhin, líder do Grupo Wagner, desmantelado na Rússia no seguimento de uma rebelião contra Putin, é que aparecia sempre nos holofotes mediáticos mas não constituiu sozinho o ‘braço-fundador’ do grupo mercenário. Na realidade, era um ex-soldado de elite ucraniano, com um passado obscuro, quem partilhava com Prigozhin as ‘honras’ de fundador: Dmitry Valerievich Utkin.

Nasceu em junho de 1970, sem se saber o dia específico, e a sua história de vida desde cedo foi marcada por um alinhar com a carreira militar, que depressa transpôs fronteiras para a Rússia. As tatuagens da Schutzstaffel (SS), não deixam muita margem para dúvidas: alinha com os ideais de Adolf Hitler, o que não deixa de ser irónico, se considerarmos que Vladimir Putin justifica a invasão da Ucrânia com o objetivo de “desnazificar” aquele país.

A ex-mulher de Smitry, Elena Shcherbinina, conta que se conheceram quando combatiam ambos na guerra na Chechénia, e que foi nesse combate que Utkin recebeu a sua primeira condecoração, a Ordem da Coragem.

Mudaram-se depois definitivamente para a Rússia e Utkin foi nomeado comandante na 700ª Unidade de Forças Especiais da 2ª Brigada Separada das Forças Especiais do Ministério da Defesa, segundo o ABC, sendo um Spetsnaz, membro de um dos comando de operações especiais mais mortíferos do mundo.

A mudança acabou por não corresponder às expectativas e, também devido a pressões da mãe, acabou por, no final de 2012, mudar-se de volta para a Ucrânia.

Ingressou como mercenário no Corpo Eslavo, uma empresa de fachada com sede em Hong Kong que contratava veteranos para defender instalações energéticas na Síria.

Acabou por lutar ao lado das forças de Bashar al-Assad na síria, com um total de 267 contratos assinados com duas empresas de mercenários.

Eventualmente, voltou pouco depois para a Rússia, mas viu-se perseguido, já que a lei do país proibia que lutasse como mercenário. Escapou à prisão, retornou à Ucrânia e fundou ele o seu próprio grupo mercenário, curiosamente com o nome do compositor preferido de Adolf Hitler: Wagner. Registou o grupo na Argentina, de forma a evitar eventual perseguição.

E a história dos mercenários Wagner começa logo depois, em 2014, no leste separatista da Urânia, e após a anexação ilegal da Crimeia, com avultado investimento de Prigozhin, que gozava de vasta fortuna enquanto ‘cozinheiro de Putin’, e que garantiu que o Grupo era alimentado de ex-combatentes russos, depois enviados para lutar na Líbia, Sudão ou República Centro Africana.

 

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