Após um verão de relativa estabilização nos mercados financeiros, os próximos meses poderão ser decisivos para investidores e decisores políticos, alerta Stefan Rondorf, Senior Investment Strategist da Schroders.
O índice de volatilidade CBOE (VIX), que mede as expectativas de variação das ações do S&P 500, apontou para uma maior estabilidade, tendência também verificada no mercado de obrigações do Tesouro norte-americano. Ainda assim, três grandes desafios poderão marcar o outono:
- Política tarifária dos EUA – Apesar de o impacto imediato das tarifas ter sido contido, graças ao aumento de inventários e a adiamentos na aplicação de taxas mais elevadas, os níveis atuais permanecem significativamente acima do esperado. As receitas aduaneiras dispararam e a pressão sobre os preços deverá intensificar-se, com potenciais efeitos negativos no consumo, no mercado laboral e no crescimento económico. Para complicar, um tribunal federal anulou recentemente algumas tarifas recíprocas, decisão que deverá ser contestada pelo Governo norte-americano no Supremo Tribunal, sem decisão final antes de 2026.
- Reserva Federal (Fed) sob pressão política – A administração Trump tem procurado reforçar a sua influência sobre o banco central, pressionando para cortes nas taxas de juro e intervindo na nomeação de governadores. A eventual perceção de perda de independência do Fed poderá ter consequências profundas nos mercados obrigacionistas, que já mostraram sinais de inquietação no início de setembro.
- Perspetivas para o crescimento europeu – Indicadores recentes revelam uma ligeira recuperação na confiança, com expectativas de estímulo orçamental na Alemanha a partir do próximo ano. No entanto, desafios fiscais em países como França e Reino Unido poderão travar o dinamismo. Em França, o Governo enfrenta uma moção de censura, enquanto no Reino Unido os planos de austeridade continuam a preocupar investidores.
Apesar destas incertezas, agosto registou ganhos expressivos nos principais índices acionistas, impulsionados pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial e da expansão tecnológica. No entanto, a elevada concentração em poucos títulos e setores aumenta o risco para os investidores.
Segundo Stefan Rondorf, a diversificação continuará a ser a melhor estratégia para enfrentar eventuais períodos de maior volatilidade no outono.














