Imagens recentemente atualizadas do Google Earth captaram o desenvolvimento mais recente de uma base naval chinesa, que acolhe parte significativa da frota de submarinos nucleares do país. A revelação foi feita por Alex Luck, analista naval sediado na Austrália. A informação reforça as avaliações sobre o crescimento da marinha chinesa e a aposta estratégica de Pequim na sua força submarina.
O interesse na expansão submarina da China tem vindo a crescer, particularmente após o relatório do Pentágono divulgado em dezembro passado, no qual se antecipava que a força submarina chinesa aumentasse de 60 para 65 embarcações até ao final deste ano, e para 80 dentro de uma década. Tal crescimento deve-se à expansão da capacidade de construção de submarinos do país.
De acordo com o mesmo relatório, desde 2009, a China construiu doze submarinos movidos a energia nuclear, incluindo dois submarinos de ataque do tipo 093, quatro do tipo 093A — ambos armados convencionalmente —, e seis submarinos do tipo 094, estes últimos capazes de lançar mísseis balísticos nucleares.
GE imagery update of Qingdao First Submarine Base, with several nuclear powered boats visible. Red Type 09I (likely training boats/MTS), green Type 09III(A), blue Type 09IV SSBN, yellow unidentified hull, 09IIIA or possibly 09IIIB, purple unidentified hull in dock. pic.twitter.com/CaWPOGCk9T
— Alex Luck (@AlexLuck9) April 11, 2025
Segundo Alex Luck, que publicou as informações na rede social X (anteriormente Twitter) na passada sexta-feira, o Google Earth atualizou recentemente as imagens da Base Submarina de Qingdao First, situada na costa leste da China. Nas imagens, é possível observar pelo menos seis submarinos atracados no cais e outro numa doca seca.
Entre os submarinos visíveis, cinco são movidos a energia nuclear e armados de forma convencional, nomeadamente dois do tipo 091, dois do tipo 093A, e uma embarcação ainda não identificada, detalhou Luck.
Além destes, a imagem captou também o único submarino nuclear de mísseis balísticos do tipo 092 da China. Esta embarcação experimental encontra-se atualmente inoperacional, tendo sido substituída pela versão mais avançada, o tipo 094, conforme relatado pela Federação de Cientistas Americanos num relatório publicado em março.
Quanto ao submarino não identificado na doca seca, Alex Luck sugeriu que poderá tratar-se de uma embarcação em processo de desmantelamento, uma vez que as operações de manutenção regular são habitualmente realizadas noutros locais.
Close-ups. 1) 2x 09I SSN. 2) 09III(A) SSN. 3) 09III(A) SSN bottom, 09IV SSBN top, 4) unidentified SSN. pic.twitter.com/MgDPecGLF8
— Alex Luck (@AlexLuck9) April 11, 2025
Embora a China continue a expandir a sua frota de submarinos, relatos indicam que o país terá perdido recentemente o seu mais moderno submarino nuclear de ataque, conhecido como tipo 041, depois de este ter afundado num estaleiro naval entre finais de maio e início de junho do ano passado.
Durante a inédita circum-navegação naval da Austrália pela marinha chinesa — realizada entre meados de fevereiro e o início de março de 2025 —, foi igualmente reportado que o grupo naval, composto por um ‘destroyer’, uma fragata e um navio de reabastecimento, teria sido acompanhado por um submarino nuclear.
Entretanto, do lado norte-americano, os Estados Unidos mantêm atualmente cinco submarinos nucleares de ataque, armados convencionalmente, destacados na ilha de Guam, uma base estratégica militar no Oceano Pacífico ocidental.
O relatório do Pentágono sobre o poder militar da China sublinha que “a Marinha do Exército de Libertação Popular (PLAN) atribuiu elevada prioridade à modernização da sua força submarina, ainda que a sua estrutura de forças esteja a crescer de forma modesta, à medida que integra novas tecnologias e expande os seus estaleiros”.
Num artigo publicado em janeiro no portal especializado Naval News, o analista Alex Luck observou que o PLAN “está também a expandir as áreas de atracação para submarinos nas bases principais de Qingdao e Hainan, de modo a acomodar a frota em expansão”.
Já Wen Xuexing, capitão de uma unidade de submarinos da marinha chinesa, afirmou em junho do ano passado que “o desenvolvimento da força submarina do país engloba tanto submarinos movidos a energia nuclear como convencionais, sendo os de propulsão nuclear o foco principal”.














