Marta Temido admite envio de tropas para a Ucrânia fora de missões de paz e defende exército europeu

A eurodeputada do Partido Socialista (PS), Marta Temido, admitiu que o envio de tropas da União Europeia (UE) para a Ucrânia fora do âmbito de missões de paz “não pode ser afastado em definitivo”.

Executive Digest
Fevereiro 27, 2025
11:24

A eurodeputada do Partido Socialista (PS), Marta Temido, admitiu que o envio de tropas da União Europeia (UE) para a Ucrânia fora do âmbito de missões de paz “não pode ser afastado em definitivo”. Em entrevista ao programa Hora da Verdade, da Rádio Renascença e do jornal Público, a ex-ministra da Saúde sublinhou que, nos últimos meses, a necessidade de um outro tipo de defesa europeia se tornou “menos distante” e que o bloco comunitário tem de estar preparado para a evolução do conflito.

Temido defendeu igualmente a criação de um exército europeu, argumentando que a manutenção da paz passa, em muitos casos, pelo “recurso à força para autodefesa”. Segundo a eurodeputada, a UE tem sido “ingénua” na forma como lidou com o crescimento de Donald Trump nos Estados Unidos e alertou para a necessidade de reforçar a segurança europeia de forma independente, sem depender exclusivamente do apoio da NATO ou de Washington. “O guarda-chuva dos EUA pode lá não estar”, afirmou.

A ex-ministra reiterou também a importância de Portugal investir mais na sua própria defesa, considerando que se trata de uma questão de “sobrevivência”. “Temos de ser autossuficientes”, sublinhou, acrescentando que o país já teve experiências similares noutras áreas estratégicas, como na energia e na resposta à pandemia. Questionada sobre o compromisso português com a NATO, referiu que, antes de discutir um aumento para 3% ou 5% do PIB, é essencial cumprir o objetivo já assumido de atingir os 2%.

Sobre a guerra entre Israel e o Hamas, Marta Temido, que recentemente visitou Rafah, no Egito, Israel e a Palestina, descreveu um cenário de “imenso sofrimento” e afirmou que a incerteza em torno do cessar-fogo continua a ser um problema central. A eurodeputada defendeu a necessidade de sanções contra o governo de Benjamin Netanyahu e reiterou o seu apelo à suspensão do Acordo de Associação entre a UE e Israel. “O governo de Netanyahu precisa de perceber que a política que tem seguido tem consequências, designadamente na relação com a União Europeia”, declarou.

Em relação à possibilidade de Trump influenciar a reconstrução de Gaza, Temido considerou a sua visão para a região como “absolutamente insuportável” e disse que a declaração do ex-presidente dos EUA sobre transformar Gaza numa “Riviera de Israel” foi recebida como uma “profunda ofensa” por egípcios, palestinianos e até por alguns israelitas. “Estamos apenas a assistir ao que já estava anunciado”, lamentou.

A ex-ministra também abordou as eleições presidenciais portuguesas, criticando a aparente incoerência do almirante Henrique Gouveia e Melo, que, apesar de ter rejeitado a política no passado, agora surge como potencial candidato. “Se não quero nada com a política, vou para a política? Ser Presidente da República é ser um político”, apontou. Questionada sobre uma eventual candidatura sua, evitou fechar portas, mas garantiu que não é uma prioridade.

Por fim, sobre as eleições autárquicas em Lisboa, Marta Temido manifestou apoio à candidatura de Alexandra Leitão e considerou que Carlos Moedas tem beneficiado de uma estratégia de vitimização, adotando uma postura de “Calimero”, em que a culpa “é sempre dos outros”. Alertou ainda que a extrema-direita continua a crescer na Europa e que os partidos democráticos terão de tomar medidas para evitar um cenário ainda mais preocupante nas eleições europeias de 2029.

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