Continuam a crescer, a multiplicar-se a a aprimorar-se os esquemas de burla em Portugal através da Internet, e a Inteligência Artificial (IA) representa uma oportunidade para muitos burlões, que veem assim surgir mais instrumentos e formas de levar a cabo os crimes que, deste tipo, no último ano praticamente duplicaram em termos de denúncias em território nacional.
Tito de Morais, do projeto ‘Agarrados à Net’, alerta que começam a surgir novos tipos de burlas extremamente elaboradas, por exemplo usando inteligência artificial para replicar ou duplicar a vos de pessoas que nos podem ser familiares”. O especialista, em entrevista à CNN Portugal, revela que o esquema de burla ‘Olá pai, olá mãe’, em que o burlão envia mensagem dizendo que se trata do filho da vítima e que perdeu o telemóvel, precisando que lhe seja transferido dinheiro, é feito habitualmente através de mensagens de texto (no WhatsApp), mas que começa também já a surgir “em termos de voz”. Ou seja, os burlões já começaram a ‘aguçar’ a tecnologia utilizada nestes esquemas.
Perante esta ameaça, Tito de Morais deixa alguns conselhos. “Não devemos tomar as coisas por garantidas, devemos desconfiar por natureza e ser céticos, mesmo que uma voz nos pareça familiar”.
A Inteligência Artificial (IA) também terá implicações “em questões de reconhecimento facial, com a utilização de deepfakes”, que vai tornar mais fácil a criação de “identidades falsas, mas realistas, de pessoas que nos são conhecidas e, nesse sentido, levar-nos mais facilmente a ser vítimas de burlas através da Internet”.
Sempre que alguma conversa suspeita for no sentido de dinheiro, deve sempre desconfiar, de acordo com o especialista, e se o contacto for feito por mensagem, insista no telefonema. Se for por telefone, peça informações que só a pessoa real que conhece saberia.
Também a urgência ou a escassez de qualquer coisa no pedido do burlão deve ser logo fator de desconfiança. “Quem tem urgência é a outra pessoa, não somos nós. Por isso devemos sempre verificar se é tudo verdade. A urgência e a escassez são mecanismos da engenharia social, de manipulação nestes golpes”, aponta Tito de Morais.
Perante os esquemas em que os burlões se fazem passar por instituições bancárias, ou até por forças de segurança ou polícias, como a Polícia Judiciária, o especialista considera que há “a obrigação moral” de, pelo menos entre instituições bancárias, “desencadear uma campanha de sensibilização para este tipo de crime”.
“Têm obrigação de lançar uma campanha de literacia financeira digital, que infelizmente temos visto muito pouco”, assinala, destacando que a responsabilidade é “pública e privada” e deve focar-se “na faixa mais vulnerável da população” a este tipo de crimes: os idosos, que muitas vezes não têm conhecimentos sobre Internet e tecnologias de informação e comunicação.
“Temos de nos tornar desconfiados profissionais. Na dúvida temos de desconfiar de tudo. E se recebermos emails, que respeitem a questões financeiras, nunca devemos seguir links. Devemos optar por aceder sempre através da aplicação do banco ou diretamente através do browser. Os links podem encaminhar para sites maliciosos, que copiam os dos nosso bancos e, ao acedermos, estamos a dar as nossas credenciais de acesso aos criminosos”, avisa Tito de Morais.












