O primeiro disco rígido que Rui Pinto aceitou descodificar para a Polícia Judiciária (PJ), no âmbito do acordo de colaboração celebrado com as autoridades portuguesas para poder sair de prisão preventiva, tem material sobre o caso Luanda Leaks, avança o “Jornal de Notícias” (JN).
Ao que o “JN” apurou, o pirata informático terá feito um acordo, em meados de Abril, e aceitou colaborar com a Justiça para que o Ministério Público (MP) e a PJ tenham acesso aos dados de 10 discos externos encriptados que lhe foram apreendidos quando foi detido na Hungria. Em contrapartida, Rui Pinto passou a viver em prisão domiciliária, nas instalações da PJ, em Lisboa.
Antes de sair da cadeia anexa à PJ, escreve o “JN”, o hacker disponibilizou uma chave de desencriptação de um dos discos à PJ e ao MP e foi nesse primeiro disco rígido que as autoridades encontram milhares de documentos sobre os negócios de Isabel dos Santos, conhecido como caso Luanda Leaks.
O Tribunal de Luanda, recorde-se, decretou em 30 de Dezembro do ano passado o arresto preventivo de contas bancárias e participações sociais de Isabel dos Santos, de Sindika Dokolo, seu marido, e de Mário Filipe Moreira Leite da Silva, ex-presidente do Conselho de Administração do Banco de Fomento de Angola e gestor da empresária.
Nesse processo, o Estado angolano, representado pelo Ministério Público, fez uma extensa fundamentação em que, em traços gerais, sustenta que Isabel dos Santos e o seu marido utilizaram fundos, nomeadamente da Sonangol, para fazerem negócios, reclamando uma dívida superior a mil milhões de euros. Além do arresto de contas bancárias e participações sociais em Angola, foram também arrestadas participações relativas a várias empresas em Portugal.
A empresária é igualmente arguida num processo-crime que está a correr em Angola por alegada má gestão e desvio de fundos durante a passagem pela petrolífera estatal Sonangol.
O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou em 19 de Janeiro mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de Luanda Leaks, que detalham alegados esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, que lhes terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano através de paraísos fiscais.













