O pirata informático, Rui Pinto, revelou que o seu primeiro alvo nas investigações futebolísticas foi o Futebol do Clube do Porto, por entender que os negócios não eram claros, o que o levou a descobrir a ligação de Alexandre Pinto da Costa à Doyen, acabando por denunciá-lo, avança o ‘Correio da Manhã’ (CM).
A revelação consta de um documento que contesta o julgamento da próxima semana, enviado por Rui Pinto ao tribunal e a que o ‘CM teve acesso. A contestação indica ainda que o Benfica nunca foi o seu principal alvo e que não tem nada contra o clube, pelo contrário.
No que diz respeito à denúncia do filho de Pinto da Costa, Rui Pinto garante que depois disso nada foi feito. «Já havia rumores em 2015 no sentido de que poderia haver ligações entre aquela empresa [Doyen] e Alexandre Pinto da Costa, filho do presidente do Futebol Clube do Porto», explica o hacker no documento em questão.
Pode ainda ler-se que «o arguido teve acesso a um conjunto de contratos que revelavam um ‘esquema’ entre o Futebol Clube do Porto e Nélio Lucas, para financiar a empresa Energy Soccer que Alexandre Pinto da Costa detinha». Segundo Rui Pinto, a empresa do filho do presidente azul e branco utilizava «a empresa maltesa Vela Management Limited», através do recurso a «falsos contratos de scouting e falsificando documentos».
Segundo o ‘CM’, o pirata informático esclarece ainda que a Doyen está envolvida num «gigantesco» processo de branqueamento de capitais em vários países, sendo tudo menos uma empresa «séria».
No documento Rui Pinto assume ser o autor de todos os textos do Football Leaks, ainda que faça referência ao envolvimento de outras figuras, mas sublinha que a sua participação foi crucial para punir uma série de responsáveis do mundo futebolístico.
Foi precisamente pela sua colaboração com a PJ que Rui Pinto conseguiu sair em liberdade depois de ter estado preso durante cerca de um ano e meio, por alegados crimes informáticos. A suspensão dos processos em que está envolvido aconteceu num «acordo inédito» da Justiça portuguesa, em que o hacker conseguiu ser libertado como arguido e simultâneamente como testemunha protegida.
A colaboração «essencial» de Rui Pinto foi um dos argumentos utilizados pelo director da Polícia Judiciária (PJ) e do DCIAP, para sensibilizar o tribunal que o vai julgar e amenizar a sua decisão. A informação que o hacker tem pode ser «determinante» para a Justiça, em alguns casos, desde o futebol, passando por Isabel dos Santos, até ao caso BES.
Rui Pinto começa a ser julgado a 4 de Setembro por 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por tentativa de extorsão ao fundo de investimento Doyen.
O criador da plataforma Football Leaks e responsável pelo processo Luanda Leaks, em que a Isabel dos Santos é a principal visada, está em liberdade, por decisão da juíza Margarida Alves, encontrando-se agora inserido no programa de protecção de testemunhas em local não revelado e sob protecção policial, por questões de segurança.







