Cabaz alimentar continua a aumentar de preço: Café moído bate recorde deste ano e já custa mais de 4 euros

Esta subida insere-se numa tendência mais ampla de aumento generalizado do custo dos bens alimentares essenciais, com o cabaz de 63 produtos monitorizado pela DECO PROteste a atingir agora os 239,42 euros.

Pedro Gonçalves
Maio 1, 2025
8:00

O café torrado moído voltou a registar uma subida significativa de preço na última semana de abril, ultrapassando novamente os 4 euros por embalagem de 250 gramas — um valor que não era observado desde o início do ano. Esta subida insere-se numa tendência mais ampla de aumento generalizado do custo dos bens alimentares essenciais, com o cabaz de 63 produtos monitorizado pela DECO PROteste a atingir agora os 239,42 euros.

De acordo com os dados divulgados esta quinta-feira, pela DECO PROteste, uma embalagem média de café torrado moído custa agora 4,04 euros, o que representa uma subida de 41 cêntimos numa só semana, ou seja, mais 11% em relação ao preço da semana anterior. Desde o início de 2025, este produto já acumulou um aumento de 7,26% face ao mesmo período de 2024.

Cabaz alimentar continua a encarecer
O chamado cabaz alimentar essencial, composto por 63 produtos de consumo diário, subiu 69 cêntimos na última semana de abril, o que equivale a um aumento de 0,29%, situando-se agora nos 239,42 euros. Desde janeiro, este mesmo cabaz já encareceu 3,25 euros (1,38%). A comparação com o mesmo período do ano passado revela um acréscimo de 4,23 euros (1,80%). Porém, se o recuo for feito até janeiro de 2022 — quando a DECO PROteste iniciou esta análise semanal — a diferença torna-se mais expressiva: os mesmos produtos custavam 51,72 euros a menos, ou seja, menos 27,55%.

A monitorização é realizada semanalmente pela DECO PROteste, que recolhe os preços praticados nas principais cadeias de supermercados com lojas online. Com base nos preços médios por produto em cada loja, é calculado o valor total do cabaz.

 

 

Produtos que mais encareceram
Entre 23 e 30 de abril, os maiores aumentos percentuais foram registados na cebola (mais 16%), na massa em espirais (mais 12%) e, naturalmente, no café moído. Quando comparados os preços com os da primeira semana do ano, destacam-se as subidas nos ovos (mais 26%), no salmão (mais 19%) e no tomate (mais 18%).

Desde o início da monitorização, em janeiro de 2022, os produtos com maiores aumentos de preço são a carne de novilho para cozer (mais 94%), os ovos (mais 78%) e a batata-vermelha (mais 62%).

Efeito do fim da isenção de IVA
A subida dos preços também se faz sentir no antigo cabaz de alimentos com IVA zero, que esteve em vigor entre 18 de abril de 2023 e 4 de janeiro de 2024, ao abrigo de uma medida extraordinária para combater a inflação no setor alimentar. Terminado esse apoio fiscal, o preço dos 41 produtos abrangidos pela isenção subiu 4,17 euros (2,94%), passando de 141,97 euros para 146,14 euros.

Segundo a DECO PROteste, os produtos que mais aumentaram desde o fim da isenção foram a carne de novilho para cozer (mais 37%), a dourada (mais 36%) e os ovos (mais 32%).

A origem do problema: pandemia, guerra e seca
Os aumentos verificados nos últimos três anos estão associados a um conjunto de fatores de origem internacional. A invasão russa da Ucrânia — fornecedor relevante de cereais para a União Europeia — afetou profundamente os mercados agroalimentares, já pressionados pelos efeitos da pandemia de covid-19 e de fenómenos de seca severa. O encarecimento de matérias-primas, fertilizantes e energia refletiu-se inevitavelmente nos preços ao consumidor final, afetando sobretudo produtos como carne, legumes, cereais de pequeno-almoço e óleos vegetais.

Inflação em desaceleração
Apesar da persistência dos aumentos em produtos essenciais, a taxa de inflação em Portugal tem vindo a desacelerar. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a inflação média anual em 2024 foi de 2,4%, um abrandamento face aos 4,3% em 2023 e aos 7,8% em 2022. Para março de 2025, o INE estima que a inflação tenha descido para 1,9%, continuando a tendência de desaceleração pelo terceiro mês consecutivo.

Para ajudar os consumidores a poupar, a DECO PROteste disponibiliza o simulador “Saber Poupar” em www.saberpoupar.pt, que permite comparar os preços dos mesmos produtos entre diferentes supermercados e zonas do país. A ferramenta permite ainda selecionar os tipos de alimentos habitualmente comprados, adaptando-se ao perfil de consumo de cada família.

Num contexto de pressão contínua sobre os orçamentos domésticos, esta comparação torna-se cada vez mais relevante para quem procura reduzir o impacto do aumento dos preços no quotidiano.

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