Netanyahu aplaude fecho do processo da violação de palestiniano por militares

Benjamin Netanyahu aplaudiu hoje o arquivamento do processo contra os cinco militares acusados de violação de um palestiniano, na prisão de Sde Teiman, gravada em vídeo divulgado pela ex-procuradora-geral militar, o que levou à sua saída do cargo.

Executive Digest com Lusa

Benjamin Netanyahu aplaudiu hoje o arquivamento do processo contra os cinco militares acusados de violação de um palestiniano, na prisão de Sde Teiman, gravada em vídeo divulgado pela ex-procuradora-geral militar, o que levou à sua saída do cargo.


“É inaceitável que se tenha levado tanto tempo para encerrar o processo criminal aos combatentes das que se enfrentam aos piores inimigos”, disse Netanyahu em comunicado.


E insistiu: “O Estado deve perseguir os seus inimigos, não os seus heróicos combatentes”.


O procurador-geral militar, Itay Offir, ordenara horas antes o arquivamento do caso que custou o lugar à sua antecessora, Yifat Tomer-Yerushalmi.


Para decidir encerrar o processo, Offir argumentou com “a complexidade da base probatória existente”, mencionando que o palestiniano violado foi libertado na Faixa de Gaza, bem como a “dificuldade para transferir” alguns materiais da investigação policial aos acusados, o que poderia prejudicar o seu direito a um processo justo, segundo um comunicado do exército.


O texto menciona ainda como um impedimento as “circunstâncias extremadamente excecionais e sem precedentes” causadas pela “conduta” de alguns altos funcionários do Corpo da Procuradoria-Geral, em alusão a Tomer-Yerushalmi.


O comunicado indica que o chefe do Estado-Maior do Exército, Eyal Zamir, foi informado da decisão e que recebeu “instruções para extrair lições e tomar as medidas necessárias para evitar que se repitam casos similares”.


O caso começou em fevereiro de 2025, quando cinco militares violaram e causaram lesões graves a um detido palestiniano.


Os casos de condenações de soldados ou reservistas por atos violentos que causem a morte de palestinianos são quase inexistentes.


O palestiniano em causa “chegou ao hospital com uma condição potencialmente mortal e com lesões na parte superior do corpo e uma lesão grave no reto”, segundo a organização não governamental israelita Médicos pelos Direitos Humanos.


Segundo a acusação, os cinco bateram no palestiniano, aplicaram-lhe descargas elétricas, partiram-lhe costelas e violaram-no com um objeto metálico.


A detenção destes militares provocou violentas manifestações de protesto frente à prisão de Sde Teiman, fomentadas por ministros como o da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, e o das Finanças, Bezalel Smotrich, ambos defensores da tortura dos palestinianos detidos e do restauro da ena de morte.


Na sua carta de demissão, Yifat Tomer-Yerushalmi declarou ser a responsável pela divulgação do vídeo em que veem os militares, protegidos por escudos anti-distúrbios, praticarem estes crimes.


“Autorizei a divulgação do material aos meios de informação como uma forma de contrariar a falsa propaganda dirigida contra as autoridades militares encarregadas de fazer cumprir a lei”, dizia Tomer-Yerushalmi na sua carta.


 

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