O barómetro deste mês apresenta uma expectativa de relançamento da economia bastante prudente, por parte dos empresários. Mais de 64% destes apenas esperam uma recuperação económica para níveis anteriores à pandemia, apenas no final de 2022 (2.º semestre) ou em 2023. Talvez esta baixa expectativa esteja relacionada com a baixa expectativa de impacto do PRR na vida e nos negócios das empresas, pois mais de 47% entendem que será pouco relevante na sua actividade. Ou seja, o maior programa económico de injecção de liquidez e investimento no mercado Português nos últimos anos, um verdadeiro “plano Marshal Europeu do século XXI”, é considerado pouco relevante para a actividade económica privada das empresas. Algo surpreendente, mas provavelmente ligado à intuição dos empresários que consideram que o PRR vai ser um programa de investimento público e não de apoio ao investimento privado. Mas mesmo assim, este investimento vai gerar volume de negócio para as empresas, e daí a minha surpresa. Fiquei também positivamente surpreendido com a afirmação de que cerca de 33% das empresas, cresceram e aumentaram o volume de negócios versus o 1.º semestre de 2019 (sendo que comparado com 2020 já era esperado). O que mostra resiliência por parte da nossa actividade económica, que as empresas se adaptaram às novas circunstâncias de negócio que a pandemia provocou, mas também alguma eficácia das medidas públicas de apoio às empresas durante a pandemia. O que as empresas esperam como apoio do Estado para uma saída da pandemia não é uma surpresa assim tão grande como as anteriores: apoio às empresas na saída das moratórias e estabilidade (fiscal e laboral). Portanto nada ambicioso ou novo, excepto na questão das moratórias. A estabilidade gera confiança e uma correcta gestão das expectativas dos investidores e dos gestores. E sem estes não existem empresas, sem empresas não existe emprego.
Testemunho publicado na edição de Agosto (nº. 185) da Executive Digest, no âmbito da XIX edição do seu Barómetro.






