Moçambique quer experiência da Etiópia na restruturação da LAM e formação de pilotos

Moçambique quer colher a experiência da Etiópia na formação de pilotos e na restruturação das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), com a companhia Ethiopian Airlines a manifestar interesse em voar para centro e norte do país, foi hoje avançado.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 17, 2026
19:36

Moçambique quer colher a experiência da Etiópia na formação de pilotos e na restruturação das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), com a companhia Ethiopian Airlines a manifestar interesse em voar para centro e norte do país, foi hoje avançado.


“Eles têm a maior companhia aérea de África, nós temos o sonho de revitalizar a LAM e não há melhor sítio para estudar do que aqui, porque eles partiram do nada. É uma experiência que está lá e que podemos colher deles”, disse à comunicação social o embaixador de Moçambique na Etiópia, Nuno Tomás.


“Penso que a Etiópia tem muita coisa a oferecer-nos e nós podemos aproveitar, é por isso que estamos aqui e estamos interessados, também eles são muito bons na formação de pilotos comerciais, então é uma escola que podemos aproveitar para formar nossos pilotos da LAM”, acrescentou.


Nas mesmas declarações, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação adiantou que a companhia Ethiopian Airlines, além de ajudar na restruturação da companhia moçambicana, quer também explorar voos para as regiões centro e norte de Moçambique.


“A Ethiopian tem ideia de entrar em algumas cidades nossas no norte do país e acho que é essa parte que querem conversar connosco para ver se podemos trabalhar para fazer abertura deste território, mas eles querem voar para Nacala, Nampula e para a Beira também”, disse a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Lucas.


A LAM deixou de realizar voos internacionais há praticamente um ano, concentrando-se nas ligações internas, levando também a uma nova administração em maio e à entrada, como acionistas, da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), da Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e da Empresa Moçambicana de Seguros (Emose).


Para minimizar os recorrentes problemas com cancelamento de voos, a companhia tem vindo a adquirir e alugar novas aeronaves, a última das quais um Airbus A319 de 148 lugares, que chegou a Maputo em dezembro.


Os prejuízos da LAM dispararam para 3.977 milhões de meticais (53,5 milhões de euros) em 2023, obrigando o Estado a injetar mil milhões de meticais (13,7 milhões de euros) e a emitir uma carta conforto em 2024, conforme avançou a Lusa em 07 de agosto.


A LAM, que não tem divulgado contas publicamente, tinha registado prejuízos de 448,6 milhões de meticais (seis milhões de euros) em 2022, que desta forma dispararam no ano seguinte, conforme consta das demonstrações financeiras mais recentes disponíveis.


A companhia enfrenta há vários anos problemas operacionais relacionados com uma frota reduzida e falta de investimentos, com registo de alguns incidentes, não fatais, associados por especialistas à deficiente manutenção das aeronaves, estando atualmente num profundo processo de reestruturação.


Apesar dos prejuízos acumulados naquele ano, a venda de serviços da LAM cresceu 4% em 2023, face a 2022, para 8.813 milhões de meticais (118,7 milhões de euros), segundo o relatório, que referia o “compromisso” do acionista maioritário “de conceder recursos necessários” para permitir à companhia “cumprir com as suas obrigações e compromissos” com terceiros, “mediante carta conforto datada de 07 de outubro de 2024”, emitida pelo Igepe.


Acrescentava que, “atendendo ao prejuízo apurado” no exercício “de 2023 e em anos anteriores” e por a empresa ter fechado as contas daquele ano com um capital próprio negativo em 19.670 milhões de meticais (265 milhões de euros), contra 16.765 milhões de meticais (225,8 milhões de euros) em 2022, e os ativos correntes “serem inferiores aos passivos correntes” no montante de aproximadamente 18.641 milhões de meticais (251 milhões de euros), a transportadora tinha a sua continuidade em causa.


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