Mobilidade elétrica: a nova tarifa e o impacto junto dos consumidores

Por Daniela Simões, CEO e co-fundadora da miio

Executive Digest

Por Daniela Simões, CEO e co-fundadora da miio

Arrancou recentemente a cobrança da tarifa da Entidade Gestora da Rede de Mobilidade Elétrica (EGME), que já estava planeada e prevista, mas ainda não tinha sido efetivada no nosso país por nos encontrarmos ainda numa fase piloto que visava promover a adoção dos veículos elétricos por parte dos utilizadores, onde qualquer tipo de incentivo ao consumo desta forma de mobilidade era (e continua a ser) bem vindo.



Com o forte e contínuo crescimento da mobilidade elétrica e adoção de veículos elétricos em Portugal, a tarifa finalmente começou a ser aplicada aos comercializadores de energia e operadores de postos de carregamento no dia 1 de maio. Ainda numa fase de expansão e investimento, as empresas envolvidas viram a sua margem ser negativamente afetada e reagiram a esta tarifa de diferentes formas: absorvendo o custo integralmente com o objetivo de aumentar a carteira de clientes pelo preço competitivo face à concorrência, imputando-o ao cliente final diretamente com taxas de ativação, ou ainda de forma indireta, subindo o preço final (ao minuto ou ao kWh) como um todo. Como consequência, nas duas semanas após a entrada em vigor desta tarifa, 48% dos operadores de postos de carregamento efetuaram alterações nos seus tarifários, bem como a generalidade dos comercializadores de energia.

Analisando os dados da rede, estes mostram-nos que atualmente a diferença máxima registada no preço por ativação é de 2,5€, de 0,105€ no preço por minuto de carregamento e de 0,12€ no preço por kWh. No entanto, quando olhamos especificamente para os 48% dos operadores de postos que fizeram alterações no tarifário, vemos que a diferença média no preço por ativação é de 0,104€, de 0,003€ no valor por minuto, e de 0,002€ no preço por kWh.

No final de contas, a rede pública de carregamento sofreu um aumento médio de 0,04€ no preço de ativação, 0,001€ por minuto e 0,001€ por kWh. Estes números mostram-nos que a parcela mais afetada com estas alterações é o preço de ativação, demonstrando que na generalidade da rede, os operadores pretendem imputar o valor da tarifa cobrado por sessão diretamente ao consumidor final através da taxa de ativação, cobrada por sessão. De qualquer forma, acredito que vale a pena reforçar que neste caso o aumento do preço por minuto e por kWh, em média, não foi significativo.

Com estas alterações e, mesmo com mais de metade dos operadores de postos de carregamento a não terem feito, até agora, alterações aos seus tarifários, o que é bastante positivo para os utilizadores de veículos elétricos, existem formas de minimizar o impacto desta nova tarifa, tais como não realizar sessões de carregamento demasiado curtas em postos com uma taxa de ativação alta, bem como  escolhendo os postos mais adequados às nossas necessidades.

E, com isto, o impacto não deverá ser um fator decisivo na aderência ou recorrência à mobilidade elétrica, pois a verdade é que se continua a tratar de uma forma de mobilidade menos dispendiosa e muito mais sustentável.

 

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