Mercado global de private equity de continuidade poderá quadruplicar até 2034

O mercado global de investimentos de continuidade — também conhecido como operações secundárias lideradas por General Partners (GP) — poderá quadruplicar na próxima década, atingindo mais de 300 mil milhões de dólares em saídas anuais até 2034.

André Manuel Mendes

O mercado global de investimentos de continuidade — também conhecido como operações secundárias lideradas por General Partners (GP) — poderá quadruplicar na próxima década, atingindo mais de 300 mil milhões de dólares em saídas anuais até 2034.

A projeção é avançada num novo estudo da Schroders Capital, que prevê uma transformação estrutural profunda no setor do private equity, com especial impacto no segmento médio-baixo do mercado.



De acordo com a análise, o crescimento será impulsionado sobretudo por fatores estruturais e não apenas cíclicos. Estima-se que cerca de 80% do volume de transações registado em 2024 resulte de uma evolução sustentada do mercado, e não de limitações temporárias nas vias tradicionais de saída.

“Mesmo as nossas estimativas mais conservadoras apontam para um crescimento significativo do mercado de investimentos de continuidade”, afirmou Nils Rode, diretor de investimentos da Schroders Capital. “Estes fundos permitem que a transformação das empresas em carteira prossiga nas mãos do mesmo gestor, sem necessidade de mudança de gestão.”

Cinco fatores estruturais impulsionam o crescimento

A Schroders Capital identifica cinco fatores fundamentais que estão a acelerar a expansão dos fundos de continuidade. Em primeiro lugar, a manutenção da propriedade para além dos períodos iniciais de investimento permite aumentar o valor das empresas sem a interrupção associada à mudança de proprietários. Em segundo, uma parte significativa dos ativos analisados — cerca de 31% — tem potencial para continuar a crescer com o mesmo gestor, tornando os investimentos de continuidade uma progressão natural.

A isto junta-se o facto de estas estruturas apresentarem comissões mais baixas e mais eficientes, permitindo poupanças estimadas em cerca de quatro mil milhões de dólares para os investidores de 2024. Os fundos de continuidade oferecem ainda resultados mais estáveis e uma liquidez 25% mais rápida, o que constitui uma vantagem importante para investidores que procuram retornos mais previsíveis. Por fim, o atual contexto macroeconómico, marcado por saídas mais lentas nas vias tradicionais, tornou este tipo de investimentos ainda mais atrativo.

Modelo de aquisição em disrupção

Ao contrário das operações secundárias tradicionais — em que uma empresa é vendida de um gestor de fundos para outro —, os investimentos de continuidade permitem que o mesmo gestor mantenha a propriedade e acrescente novo capital para apoiar o crescimento. Esta abordagem está a alterar profundamente o fluxo das operações, sobretudo nas aquisições médias e grandes, que representavam historicamente cerca de metade das transações no setor.

“A verdadeira disrupção não é manter as empresas mais tempo, mas sim quem as mantém”, sublinha Rode. “Os investimentos de continuidade oferecem condições mais vantajosas para gestores e investidores, redefinindo a forma como se cria valor.”

Oportunidades no segmento médio-baixo do mercado

Embora esta tendência esteja a ganhar força em todo o setor, a Schroders Capital destaca que o maior potencial está nas empresas de menor dimensão — avaliadas em menos de 1.000 milhões de dólares — que oferecem múltiplas vias de crescimento e diversificação.

Mais de dois terços das oportunidades analisadas nos últimos dois anos corresponderam a empresas avaliadas em menos de 750 milhões de dólares. Este segmento beneficia de múltiplos de entrada mais baixos, maior potencial de expansão e maior resiliência face à volatilidade dos mercados públicos. Além disso, trata-se de empresas mais focadas nos mercados nacionais e orientadas para serviços, o que garante maior diversificação e menor exposição a choques externos.

“Os fundos de continuidade estão a redefinir o panorama do private equity e a abrir novas oportunidades de criação de valor no segmento médio-baixo”, conclui Nils Rode.

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