Médio oriente: EUA pedem na ONU apoio ao Conselho de Paz de Trump

O embaixador norte-americano junto da ONU pediu esta noite apoio internacional ao Conselho de Paz, organismo criado por Donald Trump para reconstruir Gaza, e argumentou que “os métodos antigos” não resolveram a situação no enclave.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 19, 2026
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O embaixador norte-americano junto da ONU pediu esta noite apoio internacional ao Conselho de Paz, organismo criado por Donald Trump para reconstruir Gaza, e argumentou que “os métodos antigos” não resolveram a situação no enclave.


“O Conselho [de Paz] não está apenas a falar, está a agir. Temos ouvido críticas à estrutura do Conselho, alegando que é não convencional, sem precedentes. Repito, os métodos antigos não estavam a funcionar”, afirmou Mike Waltz perante o Conselho de Segurança da ONU, que se reuniu hoje em Nova Iorque, na véspera do Conselho de Paz se reunir pela primeira vez em Washington.


“Mais uma vez, apelamos a todas as partes para que apoiem o Conselho de Paz, que foi instituído – sinto que tenho lembrado muitas pessoas deste facto ultimamente – por este Conselho de Segurança, sem oposição”, recordou o diplomata norte-americano.


Waltz afirmou que o Conselho de Paz destinará na quinta-feira mais de cinco biliões de dólares (4,4 mil milhões de euros) para a reconstrução de Gaza, algo que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia anunciado no último domingo.


O embaixador insistiu na necessidade absoluta de desarmamento do grupo islamita palestiniano Hamas.


“A reconstrução não pode, nem irá ocorrer em áreas onde o Hamas não se desmilitarizou. (…) Estamos confiantes de que veremos emergir uma era de segurança, prosperidade e oportunidades para o Médio Oriente”, defendeu o diplomata.


O Conselho de Paz, organismo composto por líderes mundiais e criado por Donald Trump, arranca na quinta-feira com a promessa de reconstruir a Faixa de Gaza.


A ONU não terá representação na primeira reunião do Conselho de Paz, confirmou o porta-voz da organização, embora salientando que o coordenador de ajuda humanitária das Nações Unidas, Tom Fletcher, foi convidado.


“Tom Fletcher tinha sido convidado a participar. Infelizmente, devido a uma agenda extensa e a uma viagem (…) ao Sudão do Sul, não poderá ir. No entanto, estamos a fornecer informações para as discussões sobre o trabalho humanitário que temos vindo a realizar desde o cessar-fogo” em Gaza, disse Stéphane Dujarric.


A reunião de quinta-feira contará com a participação de governantes de mais de 20 países, como Israel, Argentina, Arábia Saudita e Egito.


Dujarric lembrou que o trabalho do Conselho de Paz para Gaza foi votado e aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, pelo que as Nações Unidas e o organismo continuam em contacto.


Presidido de forma vitalícia por Trump, o organismo foi inicialmente apresentado como uma das peças-chave para supervisionar o plano de paz para a Faixa de Gaza, mas o tratado fundador da estrutura acabou por revelar um mandato muito mais vasto, ao propor-se a resolver conflitos armados em todo o mundo e ambicionando tornar-se uma organização alternativa às Nações Unidas.


Perante o Conselho de Segurança da ONU, foram vários os Estados-membros que pediram hoje que o acordo de cessar-fogo em Gaza se torne permanente e criticaram os esforços israelitas para expandir o controlo na Cisjordânia.


“A anexação é uma violação da Carta da ONU e das normas mais fundamentais do direito internacional”, afirmou o embaixador palestiniano na ONU, Riyad Mansour.


“É uma violação do plano do Presidente Trump e constitui uma ameaça existencial aos esforços de paz em curso”, acrescentou.


No domingo, o Governo israelita aprovou a reabertura do processo de registo de terras na Cisjordânia ocupada, pela primeira vez desde 1967, o que permitirá a Telavive registar terras neste território palestiniano de forma vinculativa e definitiva.


Tal movimento gerou uma enorme onda de contestação internacional, com mais de 80 países, incluindo Portugal, a condenar na terça-feira as medidas unilaterais de Israel destinadas a expandir a presença na Cisjordânia.


O objetivo de Israel é remover os palestinianos e tomar posse das suas terras, afirmou hoje Mansour, frisando que o objetivo final de Telavive é a anexação.


“A Palestina pertence ao povo palestiniano”, insistiu, acrescentando: “Não está à venda. E não está disponível para quem quiser”.


Já o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, declarou que teve de controlar a sua vontade de rir quando ouviu o embaixador russo criticar as ações israelitas e a falar sobre direito internacional, ocupação, expansão territorial e resolução pacífica, numa alusão à guerra que Moscovo mantém aberta na Ucrânia.


O ministro defendeu que a presença judaica em Israel, mesmo durante o longo exílio, jamais cessou.


“Este é provavelmente o caso mais claro de direitos históricos comprovados e documentados de qualquer nação, a qualquer terra”, alegou.


Ainda na reunião de hoje, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, afirmou que o mundo está a “assistir à gradual anexação de facto da Cisjordânia, à medida que as medidas unilaterais de Israel transformam constantemente a realidade no terreno”.


 

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