A proposta do PS na Câmara de Lisboa para a criação de um programa municipal de emergência de apoio à recuperação dos danos provocados pelas recentes intempéries foi hoje rejeitada, com os votos contra de PSD/CDS-PP/IL e do Chega.
“Felizmente, até à data, a intempérie não provocou o mesmo nível de danos do que os que foram verificados noutras zonas do país e não é comparável com as cheias de 2022, decorrentes de duas chuvas de 100 anos num período de uma semana na cidade de Lisboa”, afirmou o presidente da câmara, Carlos Moedas (PSD), numa declaração de voto escrita, a que agência Lusa teve acesso.
A proposta da vereação do PS para a criação do programa municipal de emergência “Lisboa Protege+” teve os votos contra dos oitos eleitos de PSD/CDS-PP/IL, da independente Ana Simões Silva (ex-Chega e que agora tem pelouros na governação da cidade) e do vereador do Chega, num total de 10 votos contra entre o total de 17 membros que compõem o executivo municipal.
Votaram a favor da proposta os restantes vereadores, designadamente de PS, Livre, BE e PCP, indicou à Lusa fonte da autarquia.
De acordo com a vereação do PS – principal força de oposição à governação de PSD/CDS-PP/IL em Lisboa, sob liderança de Carlos Moedas (PSD) -, as recentes intempéries, com chuva intensa e vento forte, “causaram prejuízos significativos” na capital, nomeadamente em habitações, estabelecimentos comerciais, instalações desportivas e diversas infraestruturas municipais, incluindo passeios, arruamentos, iluminação pública, semáforos, arvoredo e parque habitacional sob gestão municipal.
Por isso, a vereação do PS, liderada pela socialista Alexandra Leitão, defendeu o apoio a famílias, comércio local, associações, coletividades desportivas e equipamentos afetados pelas recentes intempéries, propondo uma dotação inicial de 3 milhões de euros, à semelhança do foi implementado em 2020 no âmbito da pandemia de covid-19.
Após o desfecho da votação, que resultou no chumbo da proposta, o PS lamentou que, “por razões estritamente políticas, Carlos Moedas e o Chega tenham votado contra” e sublinhou que a iniciativa pretendia mobilizar verbas para apoiar as pessoas afetadas pelo mau tempo, bem como reforçar o investimento na reparação de equipamentos públicos essenciais, como pavimentos, habitação municipal e escolas.
“Num momento em que era necessária responsabilidade e foco nas respostas concretas às necessidades das pessoas, optaram por impedir medidas que contribuíam para minimizar os impactos e acelerar a recuperação”, criticou a vereação socialista.
Na declaração de voto a justificar a rejeição da proposta do PS, o presidente da câmara assegurou que o município, em articulação com as autoridades competentes, está a acompanhar no terreno, “desde o primeiro momento”, as ocorrências provocadas na cidade pelas condições meteorológicas adversas e “tem, como sempre, estado ao lado da população”, inclusive através do reforço do Fundo de Emergência Social.
“Nenhum munícipe será deixado para trás, mas Lisboa não se protege com propaganda nem com títulos nos jornais. Votaremos contra esta proposta porque é demagógica e de uma ligeireza que a ocasião não recomenda”, afirmou Carlos Moedas.
Criticando a “impreparação” da iniciativa do PS, em particular a ideia de um pacote financeiro extraordinário de 3 milhões de euros, o social-democrata revelou que “só as intervenções no pavimento rondarão o dobro desse montante”.
“O PS chega tarde, chega mal e chega com o foco errado a este debate. O tempo e os lisboetas não pedem jogos políticos, pedem ação e a resolução dos seus problemas. É com isso que contarão da nossa parte”, declarou o autarca do PSD.
Carlos Moedas referiu que a câmara está a agir de forma preventiva e a atuar para minimizar as perturbações na vida quotidiana dos lisboetas, inclusive através de “um conjunto de obras absolutamente decisivas e que complementam o Plano Geral de Drenagem de Lisboa, que está a ser implementado”.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.







