Um conjunto de empresários liderados por Marco Galinha, do grupo Bel e que inclui também Gustavo Guimarães, da Apollo, a Prozis e a Nova Expressão, uniram-se, no início deste mês, numa proposta de compra da Media Capital, dona da TVI, Rádio Comercial, Plural entre outros, com o financiamento do Novo Banco, do Millennium bcp e do espanhol BBVA, de acordo com o jornal ‘Público’.
O acordo de compra da Media Capital pelo consórcio cujo líder é Paulo Fernandes, da Cofina, que incluía também o empresário Mário Ferreira e o Abanca (banco de capitais venezuelano, sediado em Espanha) acabou por ser cancelado, o que fez com que a empresa deixasse de conseguir prosseguir com o negócio, depois de também o vendedor do grupo espanhol Prisa (dono do ‘El País’) não ter sido capaz de sair da mesma.
A Media Capital (controlada pela Prisa através da Vertix, SGPS) apresenta uma exposição de crédito ao Santander, ao CaixaBank e ao Abanca a rondar os 90 milhões de euros.
Na segunda semana de Março, o recuo de Paulo Fernandes impulsionou diversas acções e contactos que acabaram por originar a oferta de compra da Media Capital liderada por Marco Galinha, o dono do Grupo Bel, com actividade nas áreas da distribuição e da indústria, e acionista do Jornal Económico. Recentemente o Governo foi informado da situação, através de uma carta.
No dia 8 de Abril, o presidente da administração (chairman) da Prisa, Javier Monzón de Cáceres, recebeu uma proposta de compra da Media Capital, em conjunto com mais quatro investidores: Marco Galinha, líder do Grupo Bel; Gustavo Guimarães, representante do Fundo de private equity norte-americano Apollo; Prozis, um dos maiores operadores europeus de vendas online e a Nova Expressão, agência de meios liderada por Pedro Baltazar, avança o ‘Público’.
Também o Santander Negócios, um dos maiores credores do grupo Prisa, recebeu a mesma proposta, assumindo que o poder de comando das principais decisões de uma empresa endividada está nas mãos dos credores. Dando-se ainda o caso de Javier Monzón de Cáceres acumular a presidência da Prisa com a presidência não executiva do Openbank, detido em 100% pelo Santander.
«Como qualquer empresário português estou interessado em analisar o dossiê Media Capital, para mais tenho uma participação no Jornal Económico, onde estou empenhado», afirma Marco Galinha quando questionado pelo ‘Público’ sobre a intenção de adquirir a empresa.
Marco Galinha já tinha dito em Janeiro deste ano, relativamente à mesma temática, que havia «falta de realidade nos preços» envolvidos e no final de 2019 afirmou à Visão que só não avançou para a Media Capital porque «as variáveis não batiam todas certas» e porque entretanto surgiu o consórcio da Cofina, «um grupo português credível».
«Vamos olhar mais para o sector da comunicação social, um sector que considero dos mais interessantes em Portugal», disse na altura o empresário, sublinhando contudo que essa não é a ideia geral. Quando questionado sobre se fazia parte dos seus planos novos investimentos nesta área, disse «não é uma convicção, é uma certeza matemática» e «é só uma questão de esperar».
Também Gustavo Guimarães, esteve à frente de um dos negócios mais rentáveis das últimas décadas: o fundo de private equity norte-americano Apollo, que lidera em Portugal, comprou em 2014, por 40 milhões de euros a Tranquilidade ao Novo Banco, prometendo injectar na seguradora 150 milhões de euros. Cinco anos depois, no final de 2019, vendeu a Tranquilidade à Generali por 600 milhões de euros.
A nova proposta apresentada à Prisa é de valor inferior aos 250 milhões de euros negociados anteriormente com a Cofina, assumindo que o vendedor se tornava responsável por assumir parte substancial das contingências que pendem sobre a Media Capital.
Circulam ainda outros rumores de potenciais interessados na compra da Media Capital, nomeadamente José Eduardo Moniz, antigo director da TVI (e da RTP) e o empresário do turismo Mário Ferreira, um dos accionistas do site de notícias económicas Eco, que era também um dos subscritores da proposta da Cofina cancelada.




