O Presidente francês mostrou-se hoje satisfeito com o facto de os contrapoderes terem funcionado nos Estados Unidos contra as medidas tarifárias impostas pelo chefe de Estado norte-americano, Donald Trump.
Emmanuel Macron insistiu ainda que deseja relações comerciais com regras “mais leais” e “não sofrer decisões unilaterais”, noticiou a agência EFE.
Macron aplaudiu o facto de haver “poderes e contrapoderes nas democracias”, numa clara alusão à decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos de sexta-feira, com o mecanismo utilizado por Trump para a sua controversa política tarifária a sofrer um revés, disse aos jornalistas durante a inauguração do Salão da Agricultura de Paris.
Não obstante, o Presidente francês mostrou prudência sobre as consequências diretas do acórdão do Supremo Tribunal porque, como referiu, poucas horas depois Trump anunciou que iria aplicar novas tarifas, de forma mais limitada, mas para todo o mundo.
Segundo a agência de notícias Europa Press, o Supremo Tribunal pronunciou-se contra o instrumento utilizado por Trump para impor as tarifas recíprocas, a Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA), no que constitui a maior derrota do Presidente até à data desde o seu regresso à Casa Branca.
Após tomar conhecimento da decisão, Trump anunciou uma nova série de tarifas mundiais de 10% utilizando a Lei do Comércio de 1974, embora se trate de uma ferramenta mais fraca, pois estipula um período máximo de duração das mesmas, sendo que qualquer prorrogação, em princípio, deveria ser aprovada pelo Congresso dos EUA.
“Acho que isto nos dá que pensar. Parece-me muito positivo que existam tribunais supremos e o Estado de direito”, declarou Macron, citado pela Europa Press.
“[Trump pretende] continuar a exportar os nossos produtos agrícolas, os nossos artigos de luxo, a nossa moda, os nossos cosméticos, a nossa aeronáutica, tudo aquilo em que somos bons a exportar” para reindustrializar a França, acrescentou Macron, citado pela EFE.
E isso deve ser feito — apontou — “com as regras mais leais possíveis”, com “reciprocidade” e “sem sofrer decisões unilaterais”.
Na sua opinião, para conseguir isso, é preciso fazê-lo num ambiente de calma.




