“Luxo procura-se”

Opinião de Pedro Alvito, Professor de Política de Empresa na AESE Business School

Executive Digest

Por Pedro Alvito, Professor de Política de Empresa na AESE Business School

Ouvi recentemente alguém dizer numa conferência que o fator diferenciador das vendas no século XXI é a relação. Curioso pensei eu! Dizia esse orador que não importa termos o melhor produto/serviço que não vamos só por isso conseguir vendê-lo. O importante é chegarmos à pessoa estabelecendo uma relação que o leve a decidir por nós. Esta é a palavra-chave em todos os momentos e situações da nossa vida desde a política ao mundo dos negócios passando por tudo o resto. Em tempos idos dizíamos que era importante criar empatia com o cliente, em tempos mais recentes falámos da importância do storytelling no processo de vendas e agora queremos relação. Não será tudo a mesma coisa? A busca da continuidade das vendas é talvez o processo mais importante em qualquer área comercial. É bom quando conseguimos um novo cliente, melhor quando ele volta a comprar.



Decidir por nós! Este é um tema com que batalho diariamente. Perceber o que leva o cliente a procurar a minha empresa e não outra qualquer. Será o produto/serviço? Será o preço? Será a qualidade? Será o serviço prestado? Será o nosso atendimento? Será o processo? Ou serão coisas mais simples como a nossa localização ou a simpatia com que atendemos o telefone? Importa saber o que é, porque é isso que leva o cliente a decidir por nós e é aí que devemos investir dinheiro e tempo. Mas será que sabemos?

Na gestão, como na política, temos de saber atrair “clientes”. A preocupação maior da política atualmente não é defender ideologias e muito menos ideias, é tão simplesmente dizer aquilo que as pessoas querem ouvir (criar relação) num discurso muitas vezes ofensivo, mas que tem resultados porque vai ao encontro daquilo que uma maioria pensa e que o preocupa. Não importa se é correto ou incorreto ou se é ou não realizável, mas faz-se eco do pensamento “oculto” de quem vota. “Alguém finalmente diz o que eu penso”. A história dos dois últimos séculos está cheia de exemplos de eleições ganhas assim. Felizmente acabam mal porque apenas enganaram as pessoas no curto prazo.

O que tem isto que ver com a gestão? Acredito que os grandes valores vendem e sobretudo vendem no longo prazo. São esses os verdadeiros criadores de relação. Todos nós voltamos onde nos sentimos bem. É aqui que a gestão tem de aprender com as empresas de luxo. “Mimar o cliente” com qualidade de produto e um serviço irrepreensível de modo que a sua experiência seja única e exclusiva.  Isto não é impossível para qualquer empresa que o queira pôr em prática. Aprender com as melhores práticas, ser-se original e sobretudo ser-se autêntico dá resultados no longo prazo. Dizia o tal conferencista que se só nos preocuparmos em vender não vamos nem conseguir vender nem criar relações. Se nos preocuparmos em criar relações então as vendas vão surgir. É caso para dizer que “luxo procura-se” também na política.

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