Low-code, No-code: será a resposta à procura de talento nas TI?

Opinião de Marco Silva, Business Unit Director da Boost IT

Executive Digest

Por Marco Silva, Business Unit Director da Boost IT

As inovações em tecnologia são rápidas e constantes ao longo da nossa vida, e até mesmo quem não trabalha no setor acaba por ser impactado. Quer seja na vida pessoal ou profissional, a tecnologia tem hoje um papel avassalador. Na verdade, a capacidade de reinventar produtos, serviços e processos é essencial para a sobrevivência e o sucesso de muitas organizações, o que nos leva a procurar soluções – muitas vezes mais simples – que nos deem as respostas para as nossas necessidades.



Recordo-me de Steve Jobs que costumava dizer que a “Simplicidade é a sofisticação definitiva”, mas que temos de ir ao fundo da questão, para “transformar tarefas complexas em simples”. No seu caso, o desafio era fazer com que os dispositivos tecnológicos – que só entendiam códigos complicados – conseguissem responder a comandos humanos, como uma mensagem de voz ou o movimento do dedo.

Mantendo esta linha de pensamento arrisco a afirmar que as ferramentas low-code e no-code trouxeram-nos exatamente isto: simplificação do processo de criação de aplicações de software, minimizando a necessidade de competências tradicionais de codificação.

De facto, estas ferramentas têm o potencial de revolucionar o desenvolvimento tecnológico em alguns contextos. Podem permitir que pessoas com conhecimentos limitados em programação criem soluções tecnológicas úteis, ao mesmo tempo que reduzem a dependência por programadores altamente especializados em determinados cenários. A combinação de skills de programação e a utilização destas ferramentas pode até permitir uma abordagem mais eficiente e acessível para a criação de soluções tecnológicas. É por isso que as ferramentas de low-code e no-code têm vindo a ganhar popularidade nos últimos anos.

Mas embora essas ferramentas possam ser valiosas em determinados cenários, na verdade não podem substituir completamente as skills atuais ou revolucionar completamente o desenvolvimento de tecnologia por si só.

A atual escassez de talento tecnológico trouxe para a ribalta ferramentas como o low-code ou no-code, que nos permitem capacitar trabalhadores empresariais não tecnológicos com competências de desenvolvimento de software. Porém, no que respeita à procura de talentos no mercado das TI, o aumento das ferramentas de low-code e no-code pode apresentar oportunidades e benefícios, mas também trazem riscos associados.

O facto destas ferramentas permitirem que pessoas não técnicas participem no processo de desenvolvimento de aplicações é uma oportunidade para dar resposta à procura por talentos nas TI, uma vez que alarga o leque de potenciais colaboradores. Além disso, as plataformas com low-code e no-code permitem ciclos mais rápidos de prototipagem e desenvolvimento, permitindo que as organizações façam iterações e experiências mais rapidamente. Neste caso, torna-se particularmente benéfico para Startups e para pequenas equipas com recursos limitados.

Mas os riscos aliados à utilização de ferramentas low-code e no-code também são reais. A desvalorização das competências é um risco que está a preocupar a comunidade tecnológica. À medida que a utilização das ferramentas de low-code e no-code aumenta, existe o risco de desvalorizar as competências tradicionais de desenvolvimento de código, levando as empresas a dar prioridade à contratação de pessoas com competências nestas ferramentas em vez de investirem em programadores mais qualificados. Esta situação poderá conduzir a uma diminuição da procura de competências tradicionais de desenvolvimento de software e limitar potencialmente a inovação em determinados domínios.

Outro dos riscos é a dependência de fornecedores. Ou seja, as organizações que adotam ferramentas de low-code e no-code tornam-se potenciais dependentes das plataformas dos fornecedores. Esta dependência de ferramentas específicas pode restringir a flexibilidade e limitar a capacidade de mudar de fornecedor ou de fazer grandes alterações na arquitetura no futuro.

Em conclusão, as ferramentas de low-code e no-code têm o seu lugar no panorama do desenvolvimento tecnológico, mas não podem substituir a necessidade de competências reais no desenvolvimento de software, nem revolucionar todo o sector. Oferecem sim uma oportunidade de prototipagem rápida e incluem novas oportunidades para indivíduos não técnicos no processo de desenvolvimento. No entanto, para fazer face à escassez de profissionais no sector, é necessária uma abordagem global que combine estas ferramentas com investimentos em iniciativas de desenvolvimento de competências e de procura de talento qualificado.

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