Lisboa lidera preferências como novo epicentro da riqueza global na Europa

Aceleração da migração de riqueza deve-se a mudanças no regime tributário, ao aumento da tensão geopolítica e a alterações no panorama dos vistos.

Revista Risco
Setembro 23, 2025
10:29

Aceleração da migração de riqueza deve-se a mudanças no regime tributário, ao aumento da tensão geopolítica e a alterações no panorama dos vistos. A Europa emerge, assim, como destino preferido graças à sua estabilidade política, estilo de vida e boa governação.

A Quintela + Penalva | Knight Frank, através do seu associado Knight Frank em Londres, acaba de divulgar os resultados do European Lifestyle Report, que mostra como os indivíduos com elevado património estão a considerar mudar-se para a Europa ou dentro da Europa, com as principais localizações a serem as cidades ao invés das áreas costeiras. No que às urbes diz respeito, Lisboa é a mais popular, seguida de Londres e Madrid. Dublin e Barcelona completam o top 5. Já Chamonix lidera os mercados fora das grandes cidades, com o Algarve a ocupar o quarto lugar.

De acordo com o relatório, agora divulgado aos media, as preferências variam entre gerações e nacionalidades: enquanto os mais jovens optam por Londres, a geração Z/Boomers tem os olhos postos na capital portuguesa. E entre aqueles que escolhem Lisboa em detrimento de outras cidades europeias estão cidadãos do Brasil, Reino Unido e Estados Unidos da América. Relativamente a compras efetivas, brasileiros, franceses e norte-americanos ocupam os três primeiros lugares, respetivamente.

Cuidados de saúde, escolas internacionais e rede de transportes continuam a ser as prioridades para quem se quer ou está a mudar, sendo que as principais motivações são as oportunidades de negócios e a estabilidade financeira, a par dos incentivos fiscais. A estabilidade política, social e pessoal ocupa o terceiro lugar, seguida do estilo de vida aquando da reforma e da qualidade dos cuidados de saúde. No ano passado, os impostos foram um fator menos decisivo, surgindo em terceiro lugar, atrás de segurança/privacidade e empregabilidade.

A tendência renovada pela vida urbana, observada no relatório, contrasta com a preferência na era da pandemia por resorts e refúgios alpinos. A isso, soma-se outra realidade: quase metade dos inquiridos mais facilmente compraria uma casa ou moradia, fazendo deste o tipo de imóvel residencial de eleição. Seguem-se os apartamentos e as penthouses, só depois as propriedades rurais.

Kate Everett-Allen, Head of Europe Residential Research da Knight Frank, comenta: “Os ricos sempre tiveram opções, mas nunca as exerceram com tanta urgência e volume. Sabemos que o total global de indivíduos de alto património líquido que estão a mudar-se para outros países ultrapassará os seis dígitos este ano. O que estamos a testemunhar é mais do que apenas uma mudança demográfica. É um reflexo de uma remodelação fundamental do panorama da riqueza global – impulsionada por atritos geopolíticos, uma recalibração dos regimes fiscais e uma nova era de maior mobilidade”.

Os dados analisados resultam de um inquérito feito pela equipa da Knight Frank a mais 700 HNWI (sigla para “High Net Worth Individuals”, que remete para indivíduos com um património líquido superior a 1 milhão de dólares) de 11 países e territórios, isto é, Reino Unido, Estados Unidos da América, Bélgica, França, Alemanha, Itália, Irlanda, Países Baixos, Portugal, Espanha e Suíça. Em conjunto, os inquiridos representam mais de 30 nacionalidades, sendo que 56% correspondem a homens; os millennials formam o maior grupo geracional (45%), seguido daqueles que compõem a Gen X (29%).

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