Há suspeitas de redes organizadas de tráfico de animais a operar entre Portugal, Espanha e Itália no âmbito do caso da morte de 92 cães e gatos na Serra da Agrela, em Santo Tirso, em julho de 2020. O alerta foi deixado por Inês Sousa Real, líder do PAN, à margem do início do julgamento das três arguidas no Tribunal de Matosinhos, segundo noticiou o ‘Jornal de Notícias‘.
A deputada revelou ter recebido denúncias de que vários animais terão sido enviados para Espanha em carrinhas com matrícula estrangeira, apontando para a existência de circuitos organizados de tráfico. “Existem neste momento redes de tráfico a operar em Portugal, Espanha e Itália e é fundamental levarmos estes crimes a sério. Isto é criminalidade organizada”, afirmou.
Acusadas voltaram a acumular animais
Paralelamente, Inês Sousa Real denunciou que as responsáveis pelos abrigos ilegais onde morreram os 92 animais voltaram a acumular e a deter animais, situação que classificou como “absolutamente inconcebível”. A líder do PAN admitiu que ainda não foi possível apurar o paradeiro desses animais, apelando a uma intervenção urgente das autoridades e a maior fiscalização.
O processo, inicialmente arquivado pelo Ministério Público de Santo Tirso, avançou para julgamento após pedido de abertura de instrução apresentado pelo PAN e por associações como a MIDAS e a Animal, que se constituíram assistentes. Além das três responsáveis pelos abrigos, são também arguidos o veterinário municipal e a responsável pela proteção civil municipal.
Responsabilidades e falhas na resposta
A morte dos 92 cães e gatos ocorreu na sequência de um incêndio na Serra da Agrela, tendo vários animais sido encontrados carbonizados e alguns acorrentados. Para Inês Sousa Real, o caso evidencia falhas graves na atuação das entidades públicas e possível “omissão de auxílio”.
A deputada defendeu que o julgamento permitirá apurar responsabilidades não apenas das responsáveis pelos abrigos, mas também de entidades do Estado que terão de prestar contas pela ausência de socorro.
O PAN apresentou entretanto uma iniciativa legislativa para criminalizar quem impeça o acesso das autoridades em situações de calamidade, incêndio ou catástrofe, reforçando a responsabilização penal em casos semelhantes.
Com o julgamento agora em curso, o caso ganha uma nova dimensão, marcada não só pela responsabilização pelas mortes dos animais, mas também pela suspeita de redes internacionais de tráfico que poderão estar a explorar o território nacional.





