Kristin: Proteção Civil confirma “rajadas de vento de 178 e 179 km/h” em Montalegre que destruíram radar

Está a ser feito um reforço de meios para acompanhar o esforço das autarquias, num processo de regresso à normalidade que “face à dimensão deste fenómeno, irá durar alguns dias”.

Pedro Gonçalves
Janeiro 28, 2026
16:40

A Proteção Civil classificou esta tarde como “muito complexo” o fenómeno meteorológico extremo associado à passagem da depressão Kristin por Portugal continental, sublinhando que foram registadas rajadas de vento que chegaram perto dos 180 quilómetros por hora, e que chegaram mesmo a destruir um radar meteorológico em Montalegre. Em conferência de imprensa, o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, deixou uma mensagem de agradecimento à população por ter seguido as recomendações das autoridades, mas alertou que, apesar disso, “temos de manter este estado de alerta no nível máximo”, sobretudo devido à forte agitação marítima que continua a afetar a orla costeira.

Rui Rocha advertiu ainda que o impacto do temporal fragilizou de forma significativa as condições para os próximos dias, em especial devido à “saturação dos terrenos”, o que aumenta o risco de novas ocorrências. “Devemos todos manter um estado de alerta máximo”, reforçou, sublinhando que a resposta à emergência ainda não terminou e que os efeitos do fenómeno se irão prolongar no tempo.

O governante deixou também uma “palavra aos autarcas”, destacando o empenho das câmaras municipais e dos serviços municipais de proteção civil, que mobilizaram todos os meios disponíveis para operações de desobstrução e resposta imediata às ocorrências. Segundo explicou, está a ser feito um reforço de meios para acompanhar o esforço das autarquias, num processo de regresso à normalidade que “face à dimensão deste fenómeno, irá durar alguns dias”.

No que respeita aos serviços essenciais, Rui Rocha indicou que a recuperação da energia elétrica está a decorrer de forma gradual. Cerca de um milhão de portugueses chegaram a ficar sem eletricidade durante o pico do temporal, número que entretanto foi reduzido para aproximadamente 500 mil. O secretário de Estado garantiu que o acompanhamento no terreno vai prosseguir, anunciando deslocações a Leiria ainda hoje e, na quarta-feira, um conjunto de visitas para fazer o ponto de situação dos danos diretamente com os autarcas.

IPMA explica fenómeno e destaca rajadas de vento que destruíram estrutura da estação meteorológica de Montalegre
Do ponto de vista meteorológico, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) descreveu o evento como “uma situação rara” de ciclogénese explosiva, que se deslocou a grande velocidade. Segundo o IPMA, tratou-se de um fenómeno comparável à depressão Leslie, caracterizado por uma zona relativamente pequena de vento extremamente intenso associada a um “stream-jet”. O instituto acompanhou a evolução da depressão ao longo da noite e depois hora a hora nos períodos de maior impacto.

Nas estações do IPMA, o valor máximo medido foi de 149 km/h, mas houve registos significativamente superiores. Numa estação da Força Aérea, em Montalegre, foram registadas rajadas de 179 e 178 km/h, tendo a própria estrutura acabado por ser destruída, segundo indicaram as autoridades. De acordo com o IPMA, essa área terá sido a zona provável de entrada da depressão em território continental e o ponto de maior impacto inicial, sendo uma região cujo risco já estava identificado antecipadamente.

A passagem da depressão Kristin provocou, até ao momento, quatro mortes confirmadas em Portugal continental, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Três das vítimas mortais registaram-se no concelho de Leiria e uma em Vila Franca de Xira, devido à queda de uma árvore sobre um veículo. Os distritos de Leiria, Coimbra, Santarém e Lisboa foram os mais afetados por um rasto de destruição que incluiu quedas de árvores e estruturas, cortes e condicionamentos de estradas, interrupções em linhas ferroviárias, fecho de escolas e falhas nos serviços de energia, água e comunicações.

Perante este cenário, a Proteção Civil mantém o estado de prontidão especial no nível 4, o mais elevado, em toda a faixa costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, estando em vigor avisos meteorológicos vermelhos ao longo de toda a costa continental. As autoridades reiteram o apelo à população para que continue a seguir rigorosamente as recomendações de segurança nos próximos dias.

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