Kremlinologia e Michael Porter

Opinião de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

Executive Digest

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

O poder que a Rússia acumulou, do ponto de vista militar, energético e financeiro devia ser um “case study” de cinismo ocidental. Sempre soubemos do que o regime Kremlinoso de Putin é capaz, com os exemplos da Georgia, chechenia, crimeia… mas os imperativos económicos sempre estiveram acima da moral e decência. E confirmamos isso com a reação “musculada” que o mundo revelou a favor da Ucrânia mas ao continuar a comprar gaz e petróleo russo. 40% do gás e de 30% do petróleo consumido pela UE é importado à Rússia e, não tendo alternativas rápidas e simples se o fornecimento russo for cortado, a população europeia será a mais prejudicada. Do outro lado do oceano atlântico os americanos deixaram de comprar aos russos mas foram negociar com a Venezuela a importação de petróleo, mais um regime que é um case study de Kremlinologia, desta vez no palácio de miraflores, sede do regime de maduro. A questão é simples: Como se deixou a Europa ficar nas “mãos” de um regime Putiniano? Tendo alternativas como o Brasil, Angola e mesmo a Venezuela. Diversificando e nunca ficando dependente de um só fornecedor, nunca poderia ser alvo da “chantagem” Kremlinologista. Qualquer gestor conhece o modelo das 5 forças de Michael Porter, que influenciam a competitividade das organizações e por analogia, dos países. Existindo um baixo nível de rivalidade entre concorrentes, um elevado poder de negociação dos fornecedores, um baixo poder de negociação dos clientes, não existindo novas empresas concorrentes nem a ameaça de produtos substitutos, temos a tempestade perfeita. Os políticos deveriam estudar gestão, talvez tomassem melhores decisões políticas! E não se deixavam enredar neste modelo de dependência de regimes Kremlinólogos. Mas também da China que não se compromete e que espera pacientemente pelas oportunidades que daqui podem sair para a sua estratégia. O crude pode vir da Arábia Saudita, Iraque ou dos EUA, ou mesmo ser substituído pela energia nuclear durante um período de transição para um modelo de energias renováveis. O ferro e o aço podem vir do Brasil, Índia e Vietname. O óleo de girassol  da Turquia, Holanda ou Hungria. E a lista poderia continuar … O planeamento estratégico da Europa tem de ser feito, a desindustrialização da Europa demonstrou esta fraqueza durante a pandemia. Falta liderança na Europa, acima de tudo que voltem a ler as regras básicas de gestão do risco e de eficiência nas decisões!



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