Israel voltou esta quinta-feira a subir o tom contra o Irão, com o ministro da Defesa, Israel Katz, a afirmar que o país está “preparado para retomar a guerra” e à espera de uma “luz verde” dos Estados Unidos para avançar. Numa declaração em vídeo divulgada pelo seu gabinete, Katz disse que as Forças de Defesa de Israel estão prontas para operações “defensivas e ofensivas” e acrescentou que “os alvos já estão marcados”.
Na mesma intervenção, o governante afirmou que Israel espera autorização americana “em primeiro lugar e sobretudo para completar a eliminação total da dinastia Khamenei” e, além disso, para fazer regressar o Irão a “uma era sombria” e à “Idade da Pedra”, através da destruição de infraestruturas críticas de energia e eletricidade e do desmantelamento da sua infraestrutura económica nacional. As declarações surgem num contexto especialmente sensível, já que Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, é hoje o líder supremo iraniano, depois de Teerão o ter nomeado para o cargo após a morte do pai num ataque aéreo no final de fevereiro.
O endurecimento do discurso israelita acontece pouco antes de Benjamin Netanyahu reunir com responsáveis de segurança para discutir o cenário regional, numa altura em que também decorrem contactos entre representantes israelitas e libaneses em Washington, segundo relatos de imprensa. Esta nova ameaça surge ao mesmo tempo que se mantém um cessar-fogo frágil entre o Irão e os Estados Unidos, em vigor desde 8 de abril e prolongado por Donald Trump esta semana, após mediação do Paquistão.
Apesar da prorrogação da trégua, a tensão está longe de ter abrandado. Teerão insiste que não faz sentido falar num cessar-fogo total enquanto os Estados Unidos mantiverem o bloqueio naval aos portos iranianos. Nas últimas horas, o Irão voltou a apertar o controlo sobre o Estreito de Ormuz e apreendeu duas embarcações comerciais, enquanto Washington mantém pressão militar e operações de interceção no mar.
Neste quadro, as palavras de Katz agravam a perceção de que o cessar-fogo pode não passar de uma pausa tática. Se, de um lado, Trump diz querer dar mais tempo à via diplomática, do outro Israel assume abertamente que continua pronto para voltar ao confronto direto e que espera apenas pelo aval americano para o fazer.




