O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão considerou hoje que o país foi mais uma vez alvo de uma agressão militar criminosa por parte dos Estados Unidos e do regime sionista”, acrescentando ser a hora de “defender a pátria”.
A declaração do ministro consta de uma nota enviada hoje à agência Lusa pela embaixada do Irão em Lisboa como resposta à agressão militar dos EUA e de Israel contra o Irão.
Dirigindo-se aos compatriotas, o ministro refere que esta manhã, “na véspera do Nowruz (festa que celebra o Ano Novo do calendário persa) e no décimo dia do mês sagrado do Ramadão, os Estados Unidos e o regime sionista, numa grave violação da integridade territorial e da soberania nacional do Irão, atacaram uma série de alvos, infraestruturas de defesa e locais civis em várias cidades do país”.
“A renovada agressão militar dos Estados Unidos e do regime sionista contra o Irão está a ser cometida enquanto o Irão e os Estados Unidos se encontravam no meio de um processo diplomático”, começou por recordar.
O responsável disse que entraram “mais uma vez em negociações para provar ao sistema internacional e a todos os países do mundo a legitimidade da nação iraniana e demonstrar a ilegitimidade de qualquer pretexto para a agressão”.
Agora, o povo iraniano “está orgulhoso por ter feito tudo o que era necessário para evitar a guerra”, refere, acrescentando ser hora de “defender a pátria e enfrentar a agressão militar do inimigo”.
“Assim como estávamos prontos para as negociações, estamos mais preparados do que nunca para a defesa”, sublinha, acrescentando que “as forças armadas da República Islâmica do Irão responderão aos agressores com autoridade”.
Segundo a mesma nota da embaixada, “as ataques aéreos dos regimes sionista e americano contra o Irão constituem uma violação do Artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas e uma clara agressão armada contra a República Islâmica do Irão”.
Nesse sentido, o ministro, enfatizou que “responder a esta agressão é um direito legal e legítimo do Irão, de acordo com o Artigo 51 da Carta das Nações Unidas”.
E “as forças armadas da República Islâmica do Irão usarão todo o seu poder e recursos para enfrentar esta agressão criminosa e repelir o ato maligno do inimigo”, frisou.
A República Islâmica do Irão “relembra o grave dever das Nações Unidas e do seu Conselho de Segurança de tomarem medidas imediatas para enfrentar a violação da paz e da segurança internacionais devido à clara agressão militar dos Estados Unidos e do regime sionista contra o Irão, e exortou o secretário-geral da ONU, o presidente do Conselho de Segurança e os membros deste Conselho a cumprirem o seu dever o mais rapidamente possível”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão espera ainda que todos os Estados-Membros das Nações Unidas, “especialmente os países regionais e islâmicos, os membros do Movimento dos Países Não Alinhados e todos os Estados que se sentem responsáveis pela paz e segurança internacionais, condenem firmemente este ato de agressão e tomem medidas urgentes e coletivas para enfrentá-lo.”
Segundo o ministro, “a história testemunha que os iranianos nunca se renderam à agressão e hegemonia estrangeiras”, pelo que também não irão fazê-lo desta vez.
Israel e Estados Unidos lançaram hoje um ataque contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e países vizinhos, como Arábia Saudita, Bahrein e Qatar.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou que o seu país iniciou “grandes operações de combate no Irão” e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque tem como objetivo “eliminar uma ameaça” representada pelo regime iraniano.
Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.
Segundo as autoridades iranianas, os bombardeamentos já provocaram pelo menos 40 mortos e 48 feridos.






