Invasão da Ucrânia: Quantas armas nucleares tem a Rússia e que danos podem causar?

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, alertou o Ocidente de que tem “várias armas de destruição” depois de acusar líderes mundiais de lançar “chantagem nuclear” contra o seu país

Francisco Laranjeira

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, alertou o Ocidente de que tem “várias armas de destruição” depois de acusar líderes mundiais de lançar “chantagem nuclear” contra o seu país. “Se a integridade territorial do nosso país estiver ameaçada, sem dúvida que usaremos todos os meios disponíveis para proteger a Rússia e o nosso povo – isso não é um ‘bluff'”, apontou o líder do Kremlin, num raro discurso televisivo à nação. Há diversas perguntas, nesta fase, sobre o arsenal militar russo que importa colocar, frisou esta quarta-feira a televisão britânica ‘Sky News’.

Quantas armas nucleares tem a Rússia?



Segundo a Federação de Cientistas Americanos, a Rússia tem um stock total de ogivas nucleares de 5.977 – o maior do mundo. Em comparação, os EUA têm 5.428, enquanto França tem 290 e o Reino Unido tem 225. Aproximadamente 90% de todas as ogivas nucleares são de propriedade da Rússia e dos Estados Unidos.

Segundo a associação, o arsenal russo inclui ainda 4.447 ogivas, das quais 1.588 são implantadas em mísseis balísticos e em bases de bombardeiros pesados. Há “aproxidamente 977 ogivas estratégicas adicionais, juntamente com 1.912 ogivas não estratégicas” a serem mantidas em reserva.

Que ameaça representam para a Ucrânia e o mundo em geral as armas russas?

Os mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) da Rússia têm a capacidade de atingir e destruir grandes cidades, como Londres ou Washington. Os ICBMs podem atingir a velocidade máxima cerca de 10 minutos após o lançamento, o que pode fazer com que um disparado da Rússia chegue ao Reino Unido em apenas 20 minutos.

“Um míssil balístico intercontinental tem, na ogiva da frente, um rendimento de entre 300 e 800 quilotoneladas – 300 quilotoneladas são suficientes para destruir Washington, Londres ou Paris”, garantiu Richard Barrons, general especialista em defesa.

O especialista acrescentou que outros equipamentos que podem disparar armas menores ainda conseguiriam trazer devastação ao seu alvo. Por exemplo, o canhão 2S7 – calibre 203 mm – tem um alcance de cerca de 37 km e dispara um projétil que pesa 110 kg. “Também pode disparar um projétil nuclear com um rendimento de cerca de uma quilotonelada – mil toneladas de equivalente TNT. “Então, quando o presidente Putin fala sobre opções nucleares, pode ter em mente algo assim.”

No entanto, há mais opções. “Pode voltar-se para o míssil Iskander – com um alcance de cerca de 500 km – que pode transportar uma ogiva de 480 quilos, com uma precisão de cerca de 5 metros. Pode ser usado para disparar uma arma nuclear com um rendimento de entre 5 e 50 quilotoneladas. Com esse alcance e esse tipo de rendimento, seria absolutamente devastador.”

É provável que o stock russo mude?

Os russos continuam um programa de modernização “abrangente” para substituir a maioria das armas herdadas da era soviética. Mas correm rumores de que tenham introduzido novos tipos de armas. Hans M. Kristensen e Matt Korda, Federação de Cientistas Americanos, sustentaram que “no início de 2022, estimámos que a Rússia tenha um stock de aproximadamente 4.477 ogivas nucleares designadas para uso por lançadores estratégicos de longo alcance e armas táticas de curto alcance, o que representa uma ligeira diminuição em relação ao ano passado.”

“Das ogivas em stock, são implantadas aproximadamente 1.588 ogivas estratégicas: cerca de 812 em mísseis balísticos terrestres, cerca de 576 em mísseis balísticos lançados por submarinos e possivelmente 200 em bases de bombardeiros pesados”, denunciaram.

Qual seria o procedimento esperado para a Rússia lançar uma arma nuclear?

Vladimir Putin, o ministro da Defesa ou o chefe do estado-maior geral devem dar permissão através do que é chamado de ‘mala nuclear Cheget’. A doutrina nuclear russa permite o uso do que é conhecido como arma nuclear tática – uma explosão nuclear limitada – a ser implantada num conflito convencional para fazer o inimigo recuar. As armas nucleares estratégicas podem atingir alvos muito mais distantes, como os Estados Unidos. Já as armas nucleares táticas são conhecidas como aquelas que podem ser implantadas num campo de batalha, como a Ucrânia.

Globalmente, o que está a acontecer com a quantidade de armas nucleares?

Outros países têm vindo a comprar ou a desenvolver os seus próprios mísseis, motivados por preocupações de segurança e pelo desejo de reduzir a dependêmncia de outros fornecedores. Antes do final da década, a Ásia em particular estará ‘repleta’ de mísseis convencionais mais sofisticados do que nunca. A China tem produzido em massa o seu DF-26, uma arma multiuso com alcance até 4 mil quilómetros. Por seu turno, os Estados Unidos estão a desenvolver novas armas destinadas a combater Pequim no Pacífico.

Taiwan e o Japão estão a aumentar as suas capacidades de mísseis, bem como em sistemas de defesa projetados para combater as ameaças.

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