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«Intervir no mercado para deixar uma marca»

Com uma oferta completa, composta por um executive mba e um conjunto de executive masters e pós-graduações, o indeg-iscte tem muitas opções de formação para executivos

José Crespo de Carvalho, Presidente da Comissão Executiva do INDEG- -ISCTE Executive Education, falou com a Executive Digest sobre o decurso deste ano, o mercado e o futuro da formação para executivos.

Qual o balanço deste ano lectivo?

É um ano de mudança. Intensa. Há um redesenho estratégico assente em quatro novas dimensões: 1) Retomar o ADN do ISCTE em matéria de aproximação às empresas e à aplicação prática, envolvendo um redesenho estratégico (daí o motto Real-Life Learning); 2) Abrir a oferta formativa e de consultoria a novos produtos e formatos experienciais com dinâmicas, simulações e desafios, entre outros, por forma a impactar os participantes (e não pode ser só profissionalmente, tem de ser também pessoalmente); 3) Co-criar e desenvolver programas corporate que aumentem a exposição a empresas nacionais e internacionais; 4) Aumentar a abrangência geográfica e internacionalizar em matriz lusófona e anglo-saxónica por meio de parcerias, programas e experiências conjuntos com universidades e/ ou empresas.

Além disto, há produtos novos em várias dimensões. Os Boost Programs de curta duração em que,numa primeira fase, apresentámos mais de 20 em diversas áreas, das finanças ao digital, da liderança às vendas. Os Advanced que são produtos de média duração e cujo primeiro conjunto será lançado ainda este mês. Um esforço para desenhar programas internacionaisem parceria e sobre os quais, em breve, traremos notícias. E um desenvolvimento considerável na área corporate e de soluções co-desenhadas e construídas conjuntamente com as empresas.

A perspectiva de desaceleração económica tem relação com a educação executiva?

Sempre teve. Usualmente as empresas retraem investimento e os individuais aumentam. As empresas cortam budget e os individuais aproveitam tempos menos auspiciosos em termos profissionais para se requalificarem e se reposicionarem. No geral, a formação sofre com as desacelerações. Espera-se que não seja a primeira a ser cortada como aconteceu durante muitos anos. Até porque, hoje, as empresas estão muito mais conscientes sobre a sua importância e o seu impacto.

Não formar é não preparar. As empresas têm de preparar. As empresas têm de reter talento. A formação é um influenciador nessa retenção. As empresas têm de crescer. A formação é um farol desse crescimento. Não há como não ter formação. Mas, por vezes, a racionalidade, quando se analisa a formação, leva a que se transforme muito rapidamente o investimento em custo.

Qual a proposta de valor que o INDEG-ISCTE tem a apresentar em termos de pós-graduações/ formação de executivos?

Se por value proposition se entender a proposta de valor a ser entregue, ela passa e tem de passar por trazer o mundo real para o ensino: real-life experiencies, people, companies, solutions. Sem isso, a formação de executivos torna-se conceptual e não aplicacional. Não é aí que queremos estar.

Como descreveria a importância dos programas customizados?

Decisiva. Não há formação executiva sem programas corporate co-desenhados e desenvolvidos com e para empresas. Participar na criação das academias das empresas e na sua alavancagem é uma obrigatoriedade das universidades. Customizar e co-desenhar, uma obrigatoriedade. Sem isto, não há formação de executivos que resista. Isto para sublinhar o quão crítica é a formação corporate e o quanto estamos a apostar nela. Customizar e proporcionar experiências impactantes.

Que balanço faria destes últimos 10 anos ao abrigo da Declaração de Bolonha?

Há mais mercado no ensino superior. Há mais oportunidades. Há mais players sérios. Há mais concorrência. Isto conduz à necessidade de inovação permanente. E de uma atenção continuada aos movimentos que se fazem no mercado. Acabou a velha dicotomia universidade-empresa. Finalmente. Hoje há talento, overall, e gestão de talento. A formação de executivos é uma parte desse processo.

Concorda que a licenciatura se tornou insuficiente, nos últimos anos, para preparar as pessoas para a vida profissional?

Claramente. Hoje há um lifelong learning. Estamos sempre carentes de informação e formação.

De que forma o INDEG-ISCTE trabalha para um crescimento qualitativo e não apenas quantitativo da formação de executivos?

A evolução do mercado de executivos é crescente. Mais alunos, sempre. Mas também mais players. Quando noutro tempo estive na direcção desta casa havia dois players em Lisboa: INDEG-ISCTE e Católica. Neste momento a oferta cresceu muito e a qualidade idem. Não por haver mais licenciados, mas por haver mais pessoas atentas à necessidade de formação.

A qualidade é fundamental. Mas o objectivo é transformar, capacitar, intervir no mercado para deixar uma marca. Não sougrande adepto de um enorme escrutínio à entrada em formação de executivos.

Os alunos estrangeiros continuam a dar um bom impulso?

Claro que sim. E a abertura do scope permitir-nos-á trabalhar mercados anglo-saxónicos. Iniciámos, com algum atraso, a oferta em inglês para o mercado de executivos. Agora há todo um caminho a percorrer. Há áreas mais técnicas em que o ensino só faz sentido, neste momento, em inglês. A terminologia é inglesa. Os livros e referências são ingleses. Até as conversas são metade portuguesas e metade inglesas. Faz sentido adaptarmo-nos e crescermos para o mercado global e com uma linguagem global. Temos de retomar também o que de bom temos enquanto povo: saber entrar nos outros povos e acolhê-los e trazê- -los até nós.

O que é que trazem os alunos estrangeiros de bom para a formação de executivos?

Muitos desafios. Turmas multiculturais têm expectativas muito diferenciadas entre participantes. Isso é um desafio. A forma como se encara a formação difere daqui para o Egipto, a Malásia, para Espanha ou o Brasil. Mas o mundo é isto. E Portugal é o mundo. Nunca deixou nem deixará de o ser. Estamos sempre pior quando pensamos que manter a nossa portugalidade é não crescermos para o mundo com as armas que devemos usar. Não é necessariamente, e só, a língua. Há outros argumentos,e valores, portugueses que são centrais nesse movimento.

Da experiência que têm com estes alunos internacionais, qual a ideia que parece existir lá fora relativamente à Educação em Portugal?

Se há coisa que Portugal tem feito e repetido bem é exportar ensino superior e formação de executivos ligada ao ensino superior. Não há muitas áreas onde o sucesso seja tão consistente e continuado. Portugal é um exportador de sucesso de Ensino Superior. Por contraponto, há uma excelente ideia no exterior sobre a qualidade do ensino em Portugal.

Como se adapta o INDEG-ISCTE às diferentes exigências das empresas quanto às competências e ao surgimento de novas profissões?

No limite estamos sempre a falar de competências actualizadas. Há uma agenda digital “snob” que não tem aderência ao mercado. Em contrapartida, há uma agenda digital “doer” que, essa sim, tem aderência ao mercado. A agenda digital tem de envolver o negócio como um todo. Mas tem de se agarrar a componentes práticas de como fazer e o que fazer. Não se pode “comer” o elefante senão às fatias. E as primeiras não são necessariamente as fatias estratégicas porque neste caso, a estratégia, a existir, é emergente e pouco determinística.

Que novidades estão a preparar para o próximo ano?

Temos vários planos. A seu tempo tudo será anunciado.

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