Os técnicos de emergência do INEM que tenham contacto com infectados ou casos suspeitos de Covid-19 estão a ser obrigados a reciclar os óculos descartáveis de protecção, mergulhando-os em lixívia, e, ao contrário das recomendações da Direção-Geral da Saúde para este casos (que passam pela eliminação dos materiais) o organismo terá baixado o nível de protecção nas ambulâncias: cortou no fornecimento de materiais, substituiu impermeáveis por outros em rede e recomenda que as fardas sejam lavadas em casa, até aos 90 graus, revela o “Jornal de Notícias (JN).
Perante este cenário, os profissionais deixam o recado: «Ou arranjam material em condições ou paramos». Já o INEM garante, segundo o “JN”, que está a fornecer «o equipamento necessário» e a tentar procurar adaptar a sua logística à nova realidade.
Porém, desde a última quinta-feira, 3 de Abril, que as tripulações das ambulâncias de emergência médica (AEM) e dos motociclos (MEM) estão obrigadas a reaproveitar os óculos de protecção – que até aqui eram eliminados após o transporte de um doente ou suspeito. «Os óculos faziam parte do kit que nos é entregue. Já não integram e têm que ser reutilizados. Temos de os desinfectar, submergindo-os em lixívia durante 10 minutos, ou com álcool a 70 graus no mínimo», contou ao “JN” Rui Lázaro, do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH).
A esta orientação do INEM junta-se a alteração dos kits de equipamentos de protecção individual desde 1 de Abril: as toucas e cobre-botas deixaram de ser fornecidos, as batas impermeáveis foram trocadas por outras em rede, e só o avental é impermeável. As luvas de nitrilo deram lugar às de látex, detalha ainda o jornal.
«A explicação da logística é que não há reserva. Aliás, passámos a receber apenas dois kits por base», explicou Lázaro, admitindo que a base de Matosinhos teve de ir a Vila Nova de Gaia levantar outros, como também já o fizeram as bases de Viana do Castelo e Chaves. «A logística já chegou a ir a Mogadouro [220 quilómetros de distância] para entregar só um.»
Ao “JN”, o INEM disse que nas «AEM e MEM está disponível o equipamento necessário para a realização de manobras de suporte básico de vida» e que as necessidades ditam a activação de outros «meios de emergência médica pré-hospitalar mais diferenciados».
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infectou mais de 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 65 mil. Dos casos de infecção, mais de 260 mil são considerados curados.
Em Portugal, segundo o balanço feito domingo pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 295 mortes, mais 29 do que na véspera (+11%), e 11.278 casos de infecções confirmadas, o que representa um aumento de 754 em relação a sexta-feira (+7,2%).
Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de Março, encontra-se em estado de emergência desde a meia-noite de 19 de Março e até ao final do dia 17 de Abril, depois do prolongamento aprovado na quinta-feira na Assembleia da República.





