Indústria automóvel: aqui estão os perfis de trabalho com maior risco de extinção em 2026

Indústria automóvel enfrenta um dos períodos mais turbulentos da sua história recente e os líderes do setor estão na linha da frente dessa instabilidade

Automonitor
Fevereiro 23, 2026
12:11

A indústria automóvel enfrenta um dos períodos mais turbulentos da sua história recente e os líderes do setor estão na linha da frente dessa instabilidade. O Índice de Disrupção 2026 da AlixPartners, citado pelo site especializado ‘Motor1’, revela que mais de quatro em cada dez executivos da indústria automóvel receiam perder o emprego — uma percentagem superior à registada em qualquer outro setor analisado.

O levantamento, divulgado no passado dia 19, reflete as transformações profundas que estão a redefinir o automóvel a nível global. A transição para veículos elétricos e para modelos “definidos por software”, o avanço dos sistemas de condução automatizada, as tensões comerciais com a China e o impacto persistente da inflação internacional estão a tornar a gestão empresarial mais complexa e imprevisível.



O estudo baseia-se em mais de 3.000 entrevistas a executivos de topo em 11 países, sendo que 60% dos inquiridos ocupam cargos de alta direção (C-suite) em empresas com faturação mínima de 100 milhões de dólares (cerca de 92 milhões de euros, à taxa de câmbio atual).

Num contexto em que a disrupção deixou de ser apenas estratégica para se tornar operacional, várias marcas já avançaram com cortes. Ford, Volkswagen, General Motors e Porsche anunciaram reduções de pessoal em 2025, sinalizando que a pressão não é teórica — é real e imediata.

Os perfis considerados mais vulneráveis são os ligados à produção tradicional e à gestão da cadeia de abastecimento. Estes segmentos enfrentam uma mudança estrutural, à medida que os ciclos clássicos de desenvolvimento automóvel dão lugar a processos mais rápidos, complexos e orientados pela tecnologia. Num setor onde as decisões estratégicas moldam diretamente a competitividade global, a segurança no emprego tornou-se uma preocupação central.

Apesar do clima de incerteza, o ‘Motor1’ destaca que o estudo também identifica oportunidades claras. Cerca de 72% dos executivos inquiridos veem potencial de crescimento nas tecnologias emergentes, como veículos autónomos, sistemas avançados de assistência à condução, inteligência artificial e automóveis “definidos por software”. Estas áreas poderão abrir novas fontes de receita, incluindo subscrições digitais e serviços adicionais.

Ainda assim, os longos ciclos de desenvolvimento característicos da indústria automóvel têm limitado, até agora, a utilização da inteligência artificial sobretudo à redução de custos. A pressão sobre as margens mantém-se elevada, impulsionada pelo aumento dos preços dos materiais e pela complexidade logística.

Dan Hearsch, co-diretor global de negócios automóveis e industriais da AlixPartners, sublinha que a introdução de produtos radicalmente diferentes altera profundamente o setor: mudam os requisitos de teste, os ciclos de desenvolvimento, as competências exigidas e o tempo de chegada ao mercado. Esta transformação redefine as prioridades da gestão e o tipo de decisões estratégicas que passam a ser determinantes.

Na indústria automóvel contemporânea, risco e inovação caminham lado a lado. Compreender quais os perfis mais expostos torna-se essencial, tanto para quem trabalha atualmente no setor como para quem está a desenhar a mobilidade do futuro.

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