Num futuro distante, quando os humanos passarem a vida em vaivéns a viajarem para planetas distantes onde vivem em pequenos habitats, será importante decorarmos essas pequenas áreas habitáveis para que se tornem confortáveis durante as longas estadas. A Ikea quer mostrar-nos que estamos em boas mãos.
A gigante sueca do mobiliário já está a pensar numa forma de decorar estes minúsculos espaços do futuro. E, com base nos primeiros esboços, há uma boa probabilidade de nos sentirmos muito confortáveis nessas futuras casas, graças a sistemas de arrumação inteligentes, iluminação suave e pequenas estufas cheias de plantas. Há dois anos, a Ikea enviou designers para a Estação de Pesquisa do Deserto de Marte (MDRS na sigla original), que criou um habitat no deserto do Utah que imita as condições no Planeta Vermelho.
Christina Levenborn, designer de interiores da Ikea, permaneceu no habitat, criando uma linha Ikea para pequenos espaços inspirada na sua estada. Contudo, usou recentemente a sua experiência a viver no habitat para ajudar os investigadores a equipar o espaço. Acabou de voltar de redecorar o habitat, que agora parece ter luzes claras e estar engenhosamente organizado.
Na verdade, parece-se bastante ao que se encontra num catálogo da Ikea – o que é impressionante, porque o espaço é excepcionalmente pequeno e severo. As MDRS foram estabelecidas no início da década de 2000 para ajudar investigadores e alunos de todo o Mundo N a compreenderem de que forma é que os humanos conseguem sobreviver noutros planetas – e particularmente em Marte.
Localiza-se na Cow Dung Road, em Hanksville, Utah, onde o clima é quente e seco. O próprio habitat – por vezes chamado de Hab – é um cilindro abobadado que mede cerca de oito metros de altura e consiste num piso inferior onde se encontra um laboratório partilhado e uma área de workshops, e um andar superior que inclui uma cozinha e seis pequenas divisões com beliches para dormir e ter alguma privacidade. Grupos de seis investigadores passam semanas, ou meses, dentro destas pequenas divisões a pensar na forma de lidar com o dia-a-dia noutro planeta.
Constroem estufas onde cultivam alimentos, criam laboratórios para estudar amostras do solo e aprendem a respirar usando botijas de oxigénio. Mas os investigadores – e eventualmente, os astronautas – também têm de perceber como aproveitar a vida neste pequeno espaço. Isto significa participar em todos os aspectos do dia-a-dia que nos permite prosperar como humanos, como, por exemplo, obter uma boa noite de sono, aproveitar hobbies e passatempos, estar com amigos e sentir um ambiente acolhedor nos espaços habitáveis. E é aqui que entra a Ikea e a sua experiência.
Nos últimos anos, a empresa investiu fortemente em pesquisas sobre o que transforma uma casa num lar. Fez entrevistas a milhares de pessoas em todo o mundo e apresentou as descobertas num relatório anual Life at Home. Resumindo, as qualidades universais que fazem com que as pessoas se sintam em casa têm a ver com segurança, conforto e ligação. Christina Levenborn e outros designers da Ikea levaram algumas destas perspectivas quando foram trabalhar no habitat MDRS.
Uma casa é confortável em parte por causa da sua sensação de privacidade e de espaço, mesmo que a área em si seja pequena. E isto pode ser resolvido com mobiliário prático que mantém tudo organizado e escondido. Para tal, a Ikea instalou prateleiras Bror nas áreas dos workshops, que mantêm os itens guardados, mas que também são feitas de aço galvanizado que aguenta o pó, a humidade e pesos. No laboratório, colocou mobílias que podem ser configuradas de muitas formas para permitir um espaço com diversas funções.
O carrinho da cozinha, as secretárias e os bancos podem ser usados como um espaço de trabalho individual ou como uma área para reunir grupos, e as pessoas podem estar em pé ou sentadas enquanto trabalham. «Tentámos trabalhar com produtos para situações que envolvem pequenos espaços e que podem ser alterados de uma forma flexível e multifuncional», explicou Christina Levenborn numa declaração. «Para o habitat, trouxemos produtos com rodas para uma vida mais flexível, bancos para se sentarem e mesas e cadeiras empilháveis para ganhar espaço.»
Os seis quartos foram um desafio particular, porque são espaços extremamente pequenos e, contudo, são os únicos locais onde os investigadores podem estar sozinhos e carregar baterias. Os designers da Ikea equiparam as divisões com organizadores pendurados e ganchos, juntamente com carregadores USB.
E, mais importante, incluíram candeeiros de trabalho que lançam uma luz suave, tornando o espaço mais alegre. A Ikea ajudou também a equipar a estufa da MDRS com um conjunto de produtos para o exterior, incluindo um armário grande, um banco e um candeeiro a luz solar, juntamente com recipientes para a água.
A Ikea sempre foi a principal marca para as pessoas que procuram mobilar espaços pequenos, incluindo quem vive em pequenos apartamentos citadinos ou estudantes universitários que vivem em dormitórios minúsculos. Todas as ideias que Christina Levenborn teve para o habitat de Marte serão úteis para os consumidores que todos os dias tentam decorar lares pequenos.
Mas o projecto MDRS também permite olhar para o nosso futuro interplanetário ou intergaláctico, e imaginar como serão as nossas vidas nessa altura. O pressuposto da Ikea é que, de certa forma, as nossas necessidades serão as mesmas.
Mesmo quando exploramos cantos longínquos do nosso sistema solar, continuamos a querer um que seja acolhedor e para onde voltar ao fim do dia, um local para partilharmos refeições com amigos e família e um armário bem organizado onde colocar as nossas coisas.







