IA, controlo de custos e cultura: O novo triângulo do sucesso das PME

As pequenas e médias empresas representam 99,9% do tecido empresarial em Portugal, segundo dados da PORDATA de 2024, sendo responsáveis por impulsionar o crescimento económico, gerar milhões de empregos e acrescentar valor ao PIB nacional.

André Manuel Mendes
Março 3, 2026
11:31

As pequenas e médias empresas representam 99,9% do tecido empresarial em Portugal, segundo dados da PORDATA de 2024, sendo responsáveis por impulsionar o crescimento económico, gerar milhões de empregos e acrescentar valor ao PIB nacional.

Contudo, o contexto económico continua a impor desafios significativos. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), 15.133 empresas fecharam portas em 2024, num ano marcado pelo aumento das pressões nas cadeias de abastecimento, pelos custos laborais e pela escalada dos preços da energia.



Perante este cenário, a adoção de ferramentas tecnológicas, uma gestão eficiente dos custos e uma mudança de mentalidade organizacional surgem como fatores críticos para garantir a resiliência e competitividade das PME em 2026.

Automatizar processos com recurso à inteligência artificial

A otimização das operações empresariais tem ganho relevância desde a popularização da inteligência artificial generativa, em 2022. Atualmente, muitas pequenas empresas que inicialmente hesitaram em investir nesta tecnologia começam a concretizar ganhos tangíveis.

Segundo um relatório da Small Firms Association, nove em cada dez pequenas empresas utilizam ferramentas de IA em pelo menos um processo interno. Já a pesquisa SAP Concur CFO Insights indica que 72% das pequenas empresas reconhecem impactos positivos da IA na redução de custos, 52% no crescimento das receitas e 57% na melhoria da colaboração interna, dados referentes a 2025.

Na prática, os colaboradores recorrem a assistentes de IA para agendar viagens de trabalho e automatizar relatórios de despesas, enquanto os agentes de viagens utilizam estas soluções para reforçar o dever de cuidado, prever riscos e personalizar alertas de segurança.

A integração de dados — como itinerários, despesas, faturas e até recibos de vencimento — permite criar uma visão mais inteligente e integrada das operações. Estas ferramentas oferecem informação imediata sobre os gastos, contribuindo para uma melhor gestão de tesouraria.

Num cenário futuro, o conceito tradicional de “relatório de despesas” poderá tornar-se obsoleto, à medida que agentes autónomos de IA passem a auditar, reconciliar e processar reembolsos sem intervenção humana. Com esta evolução, as equipas deixam de estar centradas em tarefas administrativas e passam a dedicar-se a atividades de maior valor estratégico, como apoio à tomada de decisão, desenvolvimento de negócio e gestão de riscos.

 

Controlo de custos e investimento estratégico

Num ambiente de custos elevados, as pequenas empresas enfrentam maior pressão sobre as margens e a liquidez. Pequenas oscilações económicas, antes consideradas normais, transformaram-se em riscos relevantes para a sustentabilidade operacional.

Ainda que seja essencial manter reservas de caixa sólidas, os líderes empresariais enfrentam o desafio de equilibrar prudência financeira com investimento em inovação. Nesse sentido, muitas PME estão a direcionar recursos para áreas de crescimento de elevado impacto, incluindo tecnologias aplicadas à gestão de viagens e despesas (T&E).

Ferramentas como cartões virtuais, controlos dinâmicos e mecanismos de pré-aprovação permitem maior visibilidade sobre os gastos e ajudam a garantir o cumprimento das políticas internas. Paralelamente, a análise de dados gerada por estas soluções facilita a identificação de oportunidades de poupança.

Apesar das vantagens, a adoção de novas tecnologias exige atenção aos riscos associados à segurança e à conformidade. À medida que as ferramentas de IA se democratizam, surgem também novas vulnerabilidades. Por isso, é fundamental implementar sistemas fiáveis que previnam fraudes, despesas indevidas, violações de segurança e eventuais penalizações regulatórias.

 

Cultura organizacional e mentalidade de inovação

Embora as grandes empresas disponham de mais recursos para testar e absorver eventuais falhas de projetos-piloto — sendo que estudos indicam que até 95% desses projetos não atingem resultados positivos nas fases iniciais — as PME têm, em muitos casos, maior agilidade para implementar mudanças.

Para os líderes em 2026, o desafio passa por incentivar uma cultura de “avançar para o fracasso”, promovendo a experimentação e a aprendizagem contínua dentro das equipas.

A inovação baseada em IA exige testes rápidos, iteração constante e risco calculado. Criar um ambiente onde os colaboradores possam explorar diferentes aplicações da tecnologia, aprender com os erros e identificar os casos de uso mais relevantes é determinante antes de realizar grandes investimentos.

Sem estruturas excessivamente burocráticas, as PME estão potencialmente melhor posicionadas para tirar partido da inteligência artificial. Contudo, o sucesso depende da capacidade de estimular o pensamento crítico, a adaptação e a colaboração interna.

Num contexto em que é possível conjugar cumprimento rigoroso de políticas com uma experiência positiva para os colaboradores, a tecnologia pode tornar-se um fator de vantagem competitiva. Assim, as bases para um 2026 sustentável e inovador passam por investir com estratégia, controlar custos e adotar uma cultura aberta à transformação digital.

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