Hantavírus: assistente da KLM internada em Amesterdão após contacto com vítima mortal

Assistente de bordo da KLM terá estado em contacto com uma mulher que morreu infetada com hantavírus em Joanesburgo, na África do Sul

Francisco Laranjeira

Uma mulher neerlandesa foi internada num hospital em Amesterdão com sintomas compatíveis com infeção por hantavírus, confirmou esta quinta-feira o Ministério da Saúde dos Países Baixos. De acordo com a estação RTL, trata-se de uma assistente de bordo da KLM que terá estado em contacto com uma mulher que morreu infetada com hantavírus em Joanesburgo, na África do Sul.

As autoridades de saúde neerlandesas estão a acompanhar o caso e procuram perceber se existe uma ligação epidemiológica entre as duas situações. Até ao momento, não foram divulgados mais detalhes sobre o estado clínico da mulher internada em Amesterdão.

O caso surge num contexto de preocupação internacional devido ao surto de hantavírus associado ao navio de cruzeiro holandês ‘MV Hondius’, onde a maioria dos passageiros deverá permanecer mais algum tempo antes de ser autorizada a abandonar a embarcação.

Mulher alemã transferida para Düsseldorf por precaução

No âmbito deste surto, uma mulher alemã de 65 anos foi transportada para a Alemanha para avaliação médica preventiva. A passageira chegou ao Hospital Universitário de Düsseldorf no final da noite, depois de ter sido retirada do navio no porto da Praia, em Cabo Verde.

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Segundo informação citada pela agência alemã ‘dpa’, o transporte foi feito num dispositivo especial até à ala de doenças infecciosas. As equipas de emergência do Corpo de Bombeiros de Düsseldorf assumiram os cuidados da paciente no Aeroporto de Amesterdão e usaram fatos de proteção para evitar qualquer risco de contaminação.

O estado de saúde da mulher é considerado estável e, segundo as autoridades alemãs, não apresenta sintomas de infeção. O hospital também sublinhou que não há, para já, confirmação de infeção por hantavírus, tratando-se de uma pessoa que teve contacto com o caso e que foi internada apenas por precaução.

A mulher será submetida a avaliação clínica e a exames específicos na área das doenças infecciosas.

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Três pessoas retiradas do navio em Cabo Verde

Esta quinta-feira de manhã, três pessoas com suspeita de infeção por hantavírus foram retiradas do ‘MV Hondius’ no porto da Praia, em Cabo Verde. Uma delas é a cidadã alemã já transferida para Düsseldorf.

As outras duas pessoas foram levadas de avião para fora de Cabo Verde e encontram-se retidas nas Ilhas Canárias. Segundo o Ministério da Saúde espanhol, os dois pacientes tiveram de prosseguir viagem noutra aeronave devido a problemas técnicos.

O mesmo ministério indicou que o navio ‘MV Hondius’ deverá atracar no porto de Granadilla, em Tenerife, nos próximos três dias. A partir daí, os passageiros estrangeiros deverão ser repatriados, desde que tenham as autorizações sanitárias necessárias.

Argentina procura origem possível do vírus

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As autoridades argentinas também estão envolvidas na investigação. O Ministério da Saúde argentino anunciou o envio de cientistas a Ushuaia, no sul do país, para examinar roedores e procurar uma eventual presença do vírus.

O navio de cruzeiro partiu de Ushuaia no início de abril. Especialistas em doenças infecciosas do Instituto Malbrán, em Buenos Aires, deverão analisar áreas visitadas pelos dois passageiros neerlandeses que morreram depois de contraírem hantavírus.

O casal estava a viajar pela América do Sul há vários meses antes do cruzeiro. De acordo com as autoridades argentinas, os cidadãos neerlandeses chegaram à Argentina a 27 de novembro, passaram depois pelo Chile e pelo Uruguai e regressaram à Argentina a 27 de março, antes de embarcarem no cruzeiro a 1 de abril.

Vírus associado ao contacto com roedores

O hantavírus está sobretudo associado ao contacto com roedores infetados ou com ambientes contaminados pelas suas secreções. Dependendo da variante, pode provocar sintomas graves e exigir acompanhamento médico especializado.

Para já, as autoridades de saúde procuram reconstruir os contactos e os locais por onde passaram os passageiros afetados. O objetivo é perceber se a infeção teve origem antes do embarque, durante a viagem pela América do Sul ou em algum ponto associado ao percurso do cruzeiro.

O caso mantém sob vigilância sanitária o navio, os passageiros que continuam a bordo e as pessoas que estiveram em contacto próximo com os casos confirmados ou suspeitos.

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