Uma pirata informática alemã revelou os dados de milhares de utilizadores da plataforma WhiteDate, um site de encontros destinado a supremacistas brancos e militantes de extrema-direita, entre os quais 37 portugueses. A ação culminou no apagamento do site da Internet, após um ataque informático realizado ao vivo durante uma conferência tecnológica em Hamburgo, na Alemanha.
De acordo com o Correio da Manhã, o WhiteDate contava com mais de oito mil utilizadores registados, dos quais pelo menos 6500 se encontravam ativos no momento do ataque. A maioria dos inscritos era oriunda dos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha, país a partir do qual o projeto alegadamente era gerido. A plataforma ficou conhecida como o “Tinder nazi” devido à sua ideologia assumidamente racista e antissemita.
Portugueses identificados na base de dados
Segundo o CM, os 37 utilizadores portugueses identificados na base de dados são todos do sexo masculino e têm idades compreendidas entre os 20 e os 60 anos. A informação tornou-se pública depois de a ‘hacker’ alemã, que utiliza o pseudónimo ‘Martha Root’, ter disponibilizado a base de dados do WhiteDate num novo site criado por si, apesar de a plataforma original se encontrar offline.
A ofensiva informática foi apresentada como o resultado de “meses de trabalho” e incluiu a divulgação de dados como nomes, género, idade e nacionalidade dos utilizadores registados. A ação foi transmitida em direto durante a conferência em Hamburgo, aumentando o impacto mediático do ataque.
Plataforma promovia supremacia branca
O WhiteDate apresentava-se como um espaço de encontros para pessoas com “pensamentos iguais”, valores “tradicionais” e “ascendência europeia”, assumindo como objetivo contribuir para a criação de uma “sociedade racialmente pura”. Antes de ser removido da Internet, o site exibia na página inicial uma citação atribuída ao escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, autor que, ironicamente, combateu a Alemanha nazi como piloto durante a Segunda Guerra Mundial.
O ataque informático afetou também outras plataformas associadas aos mesmos responsáveis, nomeadamente o WhiteChild, um site destinado a ligar dadores de esperma e óvulos apenas para pessoas brancas, e o WhiteDeal, um portal de emprego com os mesmos critérios raciais.
Reação dos responsáveis e redes sociais
Após o apagamento do WhiteDate, os responsáveis reagiram na rede social X, antiga Twitter, classificando o ataque como um ato de “ciberterrorismo” e prometendo que teria “repercussões”. A conta da plataforma nessa rede social chegou a ser apagada, mas foi recuperada algumas horas depois. Numa mensagem pública, os responsáveis agradeceram a Elon Musk, proprietário da rede social.
Na conta de Telegram do WhiteDate, os administradores afirmaram que estavam a trabalhar numa “solução rápida e definitiva” para voltar a colocar o site online. Ainda assim, o impacto do ataque de ‘Martha Root’ levou à exposição pública de milhares de utilizadores e ao colapso temporário de várias plataformas ligadas ao universo neonazi na Internet.
O caso volta a colocar em destaque o papel do ciberativismo no combate a movimentos extremistas online e a crescente vigilância sobre plataformas digitais associadas a ideologias de ódio, conclui o Correio da Manhã.














