Google firma acordo com estúdio de cinema independente A24 que envolve Inteligência Artificial

A Google efetivou uma “colaboração centrada na investigação”, com o estúdio de cinema independente A24, que inclui um investimento de 75 milhões de dólares, para “ajudar os artistas a desenvolver novos fluxos de trabalho e técnicas” com Inteligência Artificial.

Executive Digest com Lusa

A Google efetivou uma “colaboração centrada na investigação”, com o estúdio de cinema independente A24, que inclui um investimento de 75 milhões de dólares, para “ajudar os artistas a desenvolver novos fluxos de trabalho e técnicas” com Inteligência Artificial.


De acordo com a agência de notícias espanhola EFE, o acordo entre a empresa tecnológica e o estúdio norte-americano, que em euros tem o valor de 65,6 milhões, visa sobretudo o codesenvolvimento de novas ferramentas destinadas à produção e distribuição cinematográfica, permitindo aos criadores experimentarem e darem forma às “tecnologias do futuro”.


As empresas detalharam que o acordo não concede à Google acesso aos dados da A24, nem ao seu catálogo de filmes e séries de televisão.


A A24 é responsável pela produção de filmes de sucesso como “Marty Supreme”, de Josh Safdie, “Tudo em todo o lado ao mesmo tempo”, de Daniel Kwan e Daniel Scheinert, vencedor do Óscar de Melhor Filme em 2023, e “Guerra Civil”, de Alex Garland.


Os investigadores da Google DeepMind (laboratório de pesquisa e desenvolvimento de Inteligência Artificial da Google) vão trabalhar diretamente com a equipa de realizadores e artistas do A24, para “criar funções de IA [Inteligência Artificial] que apoiem a narrativa e preservem o controlo criativo”.

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“Acreditamos que a melhor maneira de desenvolver ferramentas que empoderem os artistas é trabalhar diretamente com eles”, afirmou o cofundador e diretor executivo da Google DeppMind, Demis Hassabis, citado pela EFE.


O sócio da A24 responsável pela área de tecnologia e inovação, Scott Belsky, defendeu a integração destes avanços face à desconfiança de Hollywood em relação à IA generativa.


O responsável assinalou que as novas ferramentas “não se assemelharão em nada à IA gerada por comandos [‘prompts’], com a qual as pessoas se sentem desconfortáveis”, mas tentarão apoiar a tomada de riscos criativos.

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A equipa especializada em investigação A24 Labs já está a trabalhar numa aplicação para a criação de guiões gráficos gerados por IA.


Esta é a primeira vez que a Google adquire uma participação financeira num estúdio de cinema de Hollywood.


No ano passado, os estúdios Disney assinaram um acordo com a OpenAI que, no entanto, terminou abruptamente, quando a empresa tecnológica suspendeu a sua ferramenta de vídeo Sora, em março deste ano.


Recentemente, a Netflix adquiriu uma empresa de IA fundada pelo ator Ben Affleck, capaz de alterar cenas, sem necessidade de voltarem a ser filmadas.


A IA foi um dos fatores que desencadearam as recentes greves em Hollywood e na indústria dos videojogos.

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O filme “O Brutalista”, de Brady Corbet, foi alvo de muitas críticas depois de o editor Dávid Jancsó ter revelado que recorreu à IA para que os atores Adrien Brody, que venceu um Óscar pelo seu papel, e Felicity Jones soassem mais autênticos quando falavam em húngaro.


No início de maio, a Academia de Hollywood anunciou que atores e argumentos gerados por inteligência artificial não seriam elegíveis para os Óscares.


Pouco depois, os Globos de Ouro divulgaram novas regras para o uso de Inteligência Artificial na edição dos prémios em 2027, permitindo que produções incluam estas ferramentas, desde que o envolvimento humano se mantenha predominante e os atores sejam reais, de carne e osso.

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